No Amendoeira Golf Resort, no Algarve, parte do trabalho de limpeza da vegetação não é feito por máquinas, equipas especializadas ou sistemas tecnológicos. Cabras e ovelhas percorrem os terrenos à volta dos campos de golfe e junto às oliveiras, alimentando-se do mato e ajudando a manter controlada a vegetação da propriedade.
No portal da rádio TSF lê-se que o rebanho pertence a André, um pastor da região que encontrou no resort uma solução vantajosa para os dois lados. Enquanto os animais fazem um trabalho que de outra forma teria custos para a unidade, o pastor consegue reduzir as despesas com alimentação. “É bom para eles e para mim”, resume.
Rebanho ajuda a limpar uma propriedade com 270 hectares
O Amendoeira Golf Resort ocupa uma área de aproximadamente 270 hectares e nem sempre esteve ligado ao turismo e ao golfe. João Fernandes, diretor do resort, recorda que o terreno foi anteriormente uma quinta agrícola, razão pela qual considera que a presença de animais mantém uma ligação com a história daquela propriedade.
“Estamos a retomar essa autenticidade, a valorizar uma profissão tradicional, a ajudar um vizinho e a ser ajudados por ele”, explica à TSF. Além do mato existente nas zonas próximas dos campos, os animais alimentam-se também dos ramos mais baixos das oliveiras espalhadas pelo terreno, reduzindo algumas das necessidades de intervenção humana.
Pastor consegue poupar na alimentação dos animais
Para André, a parceria significa também prolongar o período em que o rebanho consegue alimentar-se diretamente da vegetação disponível. Em meados de setembro, o pastor explicava que ainda não tinha começado a fornecer alimentação complementar aos animais porque continuavam a encontrar comida suficiente no resort.
“Já estamos a meio de setembro e ainda não comecei a dar comida, ainda tenho aí qualquer coisa para elas comerem”, conta. A vegetação que interessa ao resort remover acaba, assim, por funcionar como alimento para cabras e ovelhas, transformando uma necessidade de manutenção numa vantagem para o pastor.
Cadela impede as ovelhas de entrarem no campo de golfe
Apesar de circularem perto das áreas destinadas aos jogadores, os animais não podem entrar livremente nos campos. Essa tarefa fica entregue à Pequenina, a única cadela que acompanha André e que mantém o rebanho afastado das zonas onde decorrem as partidas.
“É só chamar pelo nome da cadela que elas voltam logo para trás. Têm respeito à cadela”, explica o pastor. O funcionamento do rebanho permite, desta forma, que os animais circulem por diferentes partes da propriedade sem interferirem diretamente com a utilização dos campos de golfe.
Golfistas estrangeiros param para tirar fotografias
A presença de cabras e ovelhas junto de um resort de golfe pode causar alguma surpresa aos visitantes, sobretudo porque muitos dos jogadores são estrangeiros. Contudo, segundo os responsáveis, a reação tem sido sobretudo de curiosidade e não foram registadas queixas.
“Alguns tiram fotografias, outros andam a fugir atrás delas”, conta André, sugerindo que muitos dos golfistas não estão habituados a encontrar animais junto aos campos onde jogam. João Fernandes confirma que nem mesmo os chocalhos têm provocado problemas num espaço onde o silêncio costuma ser valorizado.
“Se fosse um telemóvel, eles reclamavam na hora”, brinca o diretor do resort. Pelo contrário, garante que os visitantes ficam atentos ao trabalho do pastor, da cadela e do rebanho, transformando a limpeza da vegetação numa imagem pouco habitual num campo de golfe.
A colaboração deverá ainda ganhar outras vertentes. O resort está a preparar um calendário para 2027 com fotografias de pastores da região e animais autóctones algarvios, cuja apresentação está prevista para uma gala em novembro, com receitas destinadas aos próprios pastores. André deverá ocupar o primeiro mês do calendário e estão também previstos passeios guiados para mostrar aos visitantes como funciona esta profissão tradicional.
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