Congelar o pão é um hábito comum em muitas casas, sobretudo para evitar desperdício. Mas este gesto simples pode ter também impacto na forma como o organismo reage ao pão, ajudando a reduzir o aumento de açúcar no sangue depois da refeição.
A conclusão parte de um estudo conduzido por investigadores da Oxford Brookes University e publicado na revista European Journal of Clinical Nutrition. A investigação analisou a resposta glicémica depois do consumo de pão branco preparado de diferentes formas.
O que muda no pão congelado
A explicação está num processo conhecido como retrogradação do amido. Quando o pão é cozido, o calor torna o amido mais macio e fácil de digerir, o que pode levar a uma subida mais rápida da glicose no sangue.
Quando o pão é congelado e depois descongelado ou aquecido, parte desse amido reorganiza-se numa estrutura mais resistente à digestão. Este amido resistente comporta-se de forma semelhante a uma fibra, sendo menos rapidamente absorvido pelo organismo.
Segundo os investigadores, esta alteração pode ajudar a reduzir o pico de glicose após a refeição. O efeito não transforma o pão num alimento milagroso, mas mostra que a forma como é guardado e preparado também pode fazer diferença.
Tostar depois de congelar pode reforçar o efeito
No estudo, dez voluntários saudáveis comeram pão branco em diferentes condições: fresco, congelado e descongelado, tostado, e tostado depois de congelado e descongelado.
Em comparação com o pão caseiro fresco, congelar e descongelar reduziu o aumento de glicose no sangue em cerca de 31% nas duas horas seguintes à refeição. Tostar o pão fresco também teve efeito, com uma redução próxima dos 25%.
O resultado mais expressivo surgiu quando o pão foi primeiro congelado, depois descongelado e só no final tostado. Nesse caso, a resposta glicémica caiu cerca de 39% face ao pão caseiro fresco.
Não é desculpa para comer qualquer pão
Apesar deste efeito, congelar não muda a qualidade nutricional do pão. Um pão muito processado, pobre em fibra e com muitos aditivos continua a ser uma escolha menos interessante do que um pão integral, de fermentação lenta ou feito com ingredientes mais simples.
O congelamento pode ser visto como um complemento, não como uma solução para todos os problemas. A escolha do tipo de pão continua a ser importante, sobretudo para quem procura controlar melhor a alimentação.
Para pessoas com diabetes, resistência à insulina ou outras condições de saúde, qualquer alteração alimentar deve ser enquadrada com aconselhamento médico ou nutricional. O estudo mostra um efeito metabólico, mas não substitui recomendações individuais.
Como congelar o pão corretamente
O ideal é congelar o pão ainda fresco e, sempre que possível, já fatiado. Assim, pode retirar apenas a quantidade necessária, sem ter de descongelar tudo de uma vez.
As fatias devem ser colocadas num saco próprio para congelação ou num recipiente bem fechado, retirando o máximo de ar possível. Também é útil colocar a data de congelação, para controlar melhor o tempo de armazenamento.
Na hora de consumir, o pão pode ir diretamente para a torradeira, forno, frigideira seca ou airfryer. Estes métodos ajudam a recuperar a textura crocante e podem potenciar o efeito observado no estudo.
Um hábito simples com benefício extra
O micro-ondas também descongela o pão, mas tende a deixá-lo com uma textura mais mole ou borrachuda. Por isso, não é a melhor opção quando se pretende recuperar a textura de pão acabado de aquecer.
Além de reduzir o desperdício alimentar, congelar pão permite poupar tempo e dinheiro. Para muitas famílias, é uma forma prática de ter sempre pão disponível sem comprar todos os dias.
A ciência acrescenta agora mais um argumento a favor deste hábito. Congelar, descongelar e tostar o pão pode ajudar a moderar a resposta glicémica, desde que continue a haver atenção à qualidade do pão escolhido e à quantidade consumida.
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