Todos os anos, milhares de toneladas de alimentos vão parar ao lixo em Portugal. Grande parte desse desperdício acontece por um motivo simples: a data que aparece no rótulo. Mas será que tudo o que passou do prazo de validade já está estragado?
A resposta pode não ser tão linear quanto parece. Há duas indicações diferentes nos produtos alimentares, e conhecer a diferença entre elas pode evitar gastos desnecessários e perdas evitáveis.
O que significam realmente os prazos de validade?
De acordo com a DECO PROTeste, existem dois tipos de indicação de validade: “consumir de preferência antes de…” e “consumir até…”. A primeira refere-se à data de durabilidade mínima e aplica-se, por exemplo, a massas, arroz ou bolachas. Já a segunda é a data-limite de consumo, usada em alimentos muito perecíveis como carnes frescas, peixe ou refeições prontas.
Segundo a mesma fonte, os produtos com data de durabilidade mínima podem ser consumidos após o prazo, desde que não apresentem alterações no cheiro, sabor ou textura. Pelo contrário, alimentos com a data-limite de consumo devem ser descartados assim que ultrapassam essa marca, pois podem representar riscos para a saúde.
Por que os prazos variam entre marcas?
O Doutor Finanças explica que os prazos de validade são definidos pelos próprios fabricantes, tendo em conta os seus processos e métodos de conservação. Por isso, é possível que dois produtos semelhantes, de marcas diferentes, tenham prazos distintos.
Este detalhe reforça a necessidade de observar o estado do alimento e não apenas a data no rótulo. A aparência, o cheiro e o sabor continuam a ser critérios fundamentais para avaliar a segurança do consumo.
E se a embalagem já estiver aberta?
O prazo de validade indicado aplica-se apenas a embalagens fechadas. Uma vez aberto o produto, o prazo pode deixar de ser válido. Um exemplo comum são as conservas: fechadas, podem durar anos; abertas, devem ser consumidas em 1 a 2 dias.
Conforme a mesma fonte, o contacto com o ar, a humidade e os microrganismos acelera a deterioração. É importante seguir as instruções do fabricante após a abertura e manter os alimentos no frio, se indicado.
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Quando é seguro comer depois da data?
Se o alimento tiver a indicação “de preferência antes de…”, e tiver sido bem armazenado, pode continuar a ser consumido. Ainda assim, deve verificar se não apresenta sinais de deterioração. Já os produtos com a indicação “consumir até…” devem ser descartados assim que expiram.
Segundo a DECO PROTeste, esta distinção é importante para garantir a segurança alimentar, mas também para evitar desperdícios desnecessários.
Dica prática: congele antes que se estrague
Se comprou em excesso e percebe que não vai conseguir consumir tudo antes do prazo, congele. Pão, carne ou legumes são bons exemplos de alimentos que podem ser guardados por mais tempo no congelador.
Produtos como carne picada, desde que congelados corretamente, podem ser consumidos em segurança semanas depois. No caso dos legumes, alguns devem ser escaldados antes de congelar para preservar as propriedades.
A importância de controlar o desperdício
Interpretar corretamente as datas nos alimentos ajuda não só a evitar doenças, mas também a reduzir o desperdício alimentar. Cada embalagem reaproveitada é um gesto a favor da sustentabilidade e da economia doméstica.
Pode ainda ativar notificações no seu frigorífico ou nas aplicações de gestão de alimentos que alertam para produtos próximos do fim da validade. Este tipo de apoio é útil sobretudo em casas com grandes compras mensais.
A validade da informação
Por fim, importa lembrar que muitos alimentos descartados ainda estão em condições de serem consumidos. Um melhor entendimento das datas nos rótulos pode poupar dinheiro, reduzir o lixo e contribuir para hábitos mais sustentáveis.
O mais importante é garantir que o alimento foi sempre bem armazenado e que, mesmo após o prazo de validade, mantém o seu aspeto, cheiro e sabor normais.
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