Faltam poucas horas para o eclipse solar desta quarta-feira, 12 de agosto, e conseguir um par de óculos próprios pode já não ser fácil em alguns locais. Isso não significa, contudo, que seja necessário desistir de observar o fenómeno: existem métodos de projeção que permitem acompanhar o avanço da Lua sobre o disco solar sem expor diretamente os olhos à radiação.
O Eclipse2026, plataforma nacional dedicada ao fenómeno e coordenada pela Ciência Viva, disponibiliza um recurso educativo com três métodos de observação indireta do Sol. A recomendação de segurança é clara: olhar diretamente para o astro sem proteção adequada pode provocar danos irreversíveis na retina, mesmo que não exista dor no momento da exposição.
A solução está em projetar a imagem do Sol
Em vez de olhar para o eclipse, os três métodos permitem observar uma imagem projetada do Sol numa superfície. É precisamente esta diferença que os torna úteis para quem não dispõe de óculos próprios: os olhos não entram em contacto direto com a radiação solar.
O Eclipse2026 reforça que não se deve observar o Sol à vista desarmada, com óculos de Sol comuns ou através de telescópios sem filtros solares adequados. Para observação direta durante as fases parciais, devem ser utilizados equipamentos especificamente certificados para esse fim.
1. Um cartão com um pequeno furo
A primeira solução é também a mais simples. É necessário um pedaço de cartão opaco ou cartolina grossa, uma superfície branca, que pode ser uma folha de papel, e um objeto que permita fazer um pequeno orifício.
O cartão deve ser perfurado e colocado entre o Sol e a folha branca. Não se olha através do buraco. Em vez disso, deixa-se a luz atravessá-lo e projeta-se a imagem do Sol sobre a superfície branca.
À medida que o eclipse avançar, a forma do Sol projetada no papel também irá mudar, permitindo acompanhar o fenómeno sem olhar diretamente para o astro.
2. Uma caixa de sapatos pode transformar-se numa câmara escura
O segundo método utiliza uma caixa retangular, como uma caixa de sapatos, para criar uma pequena câmara escura ou pinhole.
Faz-se um pequeno orifício numa das extremidades da caixa e coloca-se uma superfície branca no lado oposto. É ainda aberta uma zona que permita observar o interior da caixa. Depois, a caixa é posicionada de maneira a que o pequeno orifício fique apontado para o Sol.
A luz entra pelo furo e forma uma imagem do disco solar na parede interior oposta. Quem utiliza a caixa olha apenas para essa projeção e nunca através do orifício na direção do Sol.
A vantagem em relação ao primeiro método é o ambiente mais escuro criado dentro da caixa, que pode tornar a imagem projetada mais fácil de distinguir.
3. Também é possível usar binóculos, mas nunca para olhar através deles
O terceiro método requer cuidados redobrados porque utiliza binóculos ou uma luneta. Estes equipamentos não servem, neste caso, para olhar diretamente para o Sol. São utilizados apenas para projetar a imagem numa superfície.
Uma das objetivas dos binóculos deve ficar completamente tapada com material opaco. A outra recebe a luz solar e a imagem que sai pela ocular é projetada sobre um cartão branco colocado a alguma distância.
A posição do cartão e a focagem podem ser ajustadas até aparecer uma imagem definida do Sol. Este método permite obter uma projeção maior e mais nítida, mas ninguém deve colocar os olhos nas oculares durante o processo.
O próprio Eclipse2026 alerta para o perigo de observar o Sol através de instrumentos óticos sem proteção apropriada. A concentração da radiação provocada por binóculos ou telescópios torna a observação direta particularmente perigosa.
Óculos de Sol não são uma alternativa
Um erro especialmente importante a evitar é substituir os óculos de eclipse por óculos de Sol normais. Mesmo modelos muito escuros não foram concebidos para permitir a observação direta do Sol e não oferecem a proteção necessária.
O Eclipse2026 recomenda igualmente verificar o estado dos óculos próprios antes da utilização, procurando furos, riscos ou outros danos e confirmando a informação de certificação e conformidade apresentada pelo fabricante.
Eclipse será visível em todo o país
O fenómeno desta quarta-feira poderá ser acompanhado em todo o território português. No continente, a ocultação deverá situar-se entre 92% e 99% na generalidade das regiões, enquanto apenas uma pequena zona do Parque Natural de Montesinho, em Bragança, ficará dentro da faixa de totalidade. Nos Açores e na Madeira, o eclipse será parcial.
Na maior parte de Portugal, portanto, o Sol nunca ficará completamente tapado, pelo que não existe um momento seguro para retirar a proteção e olhar diretamente para o astro.
Para quem ficou sem óculos, um cartão, uma caixa de sapatos ou um sistema de projeção devidamente montado com binóculos podem, assim, permitir acompanhar o eclipse. A regra é comum aos três métodos: a imagem do Sol é que deve chegar aos olhos, nunca o Sol diretamente.
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