O ibuprofeno é um dos medicamentos mais utilizados para aliviar dores, mas nos dias de maior calor pode exigir cuidados adicionais. Uma farmacêutica alerta que determinadas pessoas apresentam maior risco, sobretudo quando existe desidratação ou problemas de saúde prévios.
Durante o verão, é comum recorrer a analgésicos para aliviar dores musculares, articulares ou de cabeça. No entanto, as temperaturas elevadas podem alterar a forma como o organismo reage a determinados medicamentos.
Hanna Yusuf, farmacêutica citada pelo jornal britânico Mirror, explica que o calor pode favorecer a desidratação, aumentando a pressão sobre os rins e tornando a toma de ibuprofeno mais delicada em alguns casos.
Calor pode aumentar o risco
Segundo a especialista, temperaturas elevadas podem contribuir para a dilatação dos vasos sanguíneos e para a retenção de líquidos em determinadas pessoas, agravando alguns sintomas já existentes.
O principal problema surge quando o calor conduz à desidratação. Nestas situações, os rins ficam sujeitos a maior esforço, algo que pode tornar o ibuprofeno mais prejudicial para quem já apresenta fatores de risco.
A farmacêutica chama, por isso, a atenção para cinco grupos que devem ter cuidados redobrados durante períodos de temperaturas muito elevadas.
Grávidas estão entre os grupos de maior atenção
Entre esses grupos encontram-se as grávidas, sobretudo a partir das 20 semanas de gestação. Nestes casos, o ibuprofeno só deverá ser utilizado mediante indicação médica.
De acordo com Hanna Yusuf, este medicamento pode interferir com o desenvolvimento do bebé, incluindo o funcionamento cardíaco e a quantidade de líquido amniótico.
Também as pessoas com insuficiência cardíaca ou doença hepática devem ter precaução, uma vez que o ibuprofeno pode favorecer a retenção de líquidos e sal.
Doença renal exige cuidados adicionais
Quem sofre de doença renal encontra-se igualmente entre os grupos de maior risco. O ibuprofeno pode aumentar a pressão sobre os rins e, em situações mais delicadas, agravar problemas já existentes.
O risco pode ser superior durante uma vaga de calor, altura em que a perda de líquidos através da transpiração aumenta e a desidratação pode surgir mais facilmente.
A especialista alerta ainda para quem toma determinados medicamentos para a pressão arterial ou para pessoas que já tiveram reações adversas ao ibuprofeno ou a outros analgésicos semelhantes.
Não significa que todos tenham de deixar de tomar
Apesar dos alertas, a recomendação não passa por abandonar automaticamente o medicamento. Para a maioria das pessoas, uma utilização ocasional de ibuprofeno não representa um problema.
A situação muda quando existem doenças renais, cardíacas ou hepáticas, gravidez, utilização de alguns medicamentos ou sinais de desidratação. Nestes casos, a escolha do analgésico deve ser avaliada com maior cuidado.
A farmacêutica recomenda que pessoas pertencentes a estes grupos falem com um médico ou farmacêutico antes de recorrerem ao ibuprofeno durante períodos de calor intenso.
Paracetamol pode ser alternativa em alguns casos
Em determinadas situações, o paracetamol poderá ser considerado uma opção mais adequada, mas essa decisão depende do estado de saúde de cada pessoa e dos medicamentos que já utiliza.
Também não é aconselhável interromper tratamentos prescritos sem indicação de um profissional de saúde. O mais importante é perceber se existem fatores que aumentam o risco antes de tomar ibuprofeno.
Com o calor a aumentar o risco de desidratação, manter uma hidratação adequada e procurar aconselhamento profissional quando existem doenças crónicas torna-se especialmente importante durante o verão.
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