O aparecimento de organismos marinhos urticantes junto às zonas balneares exige atenção, mesmo quando estes já se encontram fora de água. Os tentáculos, como é caso da caravela-portuguesa, podem manter a capacidade de provocar lesões depois de o animal dar à costa, pelo que qualquer contacto deve ser evitado.
A presença de caravelas-portuguesas aumentou este verão no norte de Espanha, sobretudo na Cantábria e no País Basco. As autoridades restringiram os banhos e interditaram temporariamente o acesso à água em várias praias, depois de serem registadas mais de uma centena de picadas num único dia.
Segundo a agência internacional de notícias Euronews, a maioria das pessoas assistidas em San Sebastián apresentava lesões ligeiras. O município sublinhou que o número de ocorrências foi reduzido quando comparado com a quantidade de banhistas presentes nas praias.
Caravelas também aparecem em Portugal
A situação espanhola não significa que esteja em curso um episódio semelhante em toda a costa portuguesa. No entanto, a caravela-portuguesa aparece com frequência em Portugal continental, nos Açores e na Madeira.
Na atualização mais recente do programa GelAvista, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), foram comunicados avistamentos no concelho de Sesimbra. A presença destes organismos depende sobretudo dos ventos e das correntes marítimas superficiais.
O programa reúne registos enviados por cidadãos e especialistas, permitindo acompanhar a distribuição de caravelas-portuguesas e de outros organismos gelatinosos nas águas portuguesas.
Não é realmente uma medusa
Apesar do aspeto, a caravela-portuguesa, cujo nome científico é Physalia physalis, não é uma medusa. Trata-se de um sifonóforo formado por uma colónia de organismos especializados que funcionam em conjunto.
O IPMA classifica-a como a espécie gelatinosa mais perigosa presente em Portugal. O seu flutuador azul ou arroxeado desloca-se à superfície, enquanto os tentáculos podem atingir cerca de 30 metros.
Esses tentáculos possuem células urticantes capazes de provocar dor intensa, sensação de queimadura, vermelhidão e inchaço. Em pessoas mais sensíveis, o contacto pode causar uma reação com maior gravidade.
Não deve tocar mesmo que esteja na areia
Uma caravela-portuguesa encontrada no areal não deve ser tocada ou empurrada com as mãos ou os pés. As células urticantes continuam ativas mesmo depois da morte do organismo ou quando os tentáculos se encontram separados.
Caso seja detetado um exemplar numa praia vigiada, a indicação deve ser transmitida ao nadador-salvador. Também é importante cumprir a sinalização existente e não entrar na água quando o banho estiver interdito.
Se não for possível identificar a espécie com segurança, o IPMA recomenda que não exista qualquer contacto. O tratamento de uma picada pode variar conforme o organismo envolvido.
O que fazer depois de uma picada
Perante uma picada, a pessoa deve sair da água e dirigir-se ao posto de socorro. A zona atingida deve ser lavada cuidadosamente com água do mar, sem esfregar, para evitar a libertação de mais substâncias urticantes.
Os restos de tentáculos presos à pele devem ser removidos com uma pinça, nunca diretamente com as mãos. Também não deve ser utilizada água doce, álcool ou qualquer tentativa de esfregar a pele com areia ou uma toalha, de acordo com a fonte anteriormente citada.
O protocolo divulgado pelo município de San Sebastián aconselha a aplicação de frio. Em Portugal, porém, deve seguir-se a orientação específica do IPMA para a caravela-portuguesa: aplicar compressas quentes, a cerca de 40 ºC, durante 20 minutos, ou vinagre sem diluir.
Estas indicações destinam-se especificamente ao contacto com a caravela-portuguesa. Quando existirem dúvidas sobre a espécie envolvida, o tratamento deve ficar a cargo dos nadadores-salvadores ou de profissionais de saúde.
Quando procurar assistência médica
O IPMA recomenda que a pessoa seja observada por um profissional de saúde após o contacto, especialmente quando a área atingida for extensa ou a dor não diminuir.
Dificuldade em respirar, tonturas, náuseas, alteração do estado de consciência ou agravamento rápido do estado geral são sinais que exigem assistência imediata. Perante uma emergência ou possível risco de vida, deve ser contactado o 112.
Nas situações sem sinais de emergência, a Linha SNS 24, através do número 808 24 24 24, pode fazer a triagem, prestar aconselhamento e indicar os cuidados de saúde adequados.















