Depois da divulgação das condições de acolhimento e privacidade na urgência do Hospital de Portimão, a Comissão de Utentes em Defesa dos Serviços Públicos (CUDESP) considerou que os problemas denunciados refletem fragilidades estruturais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e prometeu continuar a expor situações que coloquem em causa os direitos dos utentes e dos profissionais.
Num comunicado dirigido ao POSTAL, assinado por Carlos Baptista, a comissão agradece a publicação da notícia sobre as condições encontradas pelos utentes no Serviço de Urgência do Hospital de Portimão, defendendo que a divulgação contribui para dar visibilidade aos problemas enfrentados por quem recorre ao SNS.
Segundo a CUDESP, os cidadãos têm direito a receber cuidados de saúde “com dignidade, respeito e em condições adequadas”.
Comissão diz que situação não é um caso isolado
A estrutura sustenta que os factos denunciados no Hospital de Portimão não constituem uma ocorrência isolada e associa-os a problemas mais amplos no funcionamento do serviço público de saúde.
“No entendimento da CUDESP, refletem problemas estruturais que resultam de anos de insuficiente investimento e de opções políticas que têm fragilizado o Serviço Nacional de Saúde”, lê-se no comunicado.
A comissão afirma que continuará a recorrer aos meios democráticos ao seu alcance para denunciar situações que afetem os utentes, os profissionais de saúde ou a qualidade dos serviços prestados.
“A CUDESP continuará a denunciar todas as situações que coloquem em causa os direitos dos utentes, dos profissionais de saúde e a qualidade da resposta prestada pelo SNS”, assegura.
Alterações no INEM também preocupam utentes
No mesmo documento, a CUDESP manifesta preocupação com as alterações introduzidas na organização do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e com o rumo seguido na política de emergência médica.
A comissão não detalha, nesta comunicação, as mudanças que considera problemáticas, mas adianta que se pronunciará posteriormente sobre o assunto “de forma pública e fundamentada”.
A estrutura defende ainda que o investimento público deve ser orientado para o reforço do SNS e dos seus profissionais, garantindo que os recursos disponíveis sejam aplicados na melhoria da resposta assistencial e em benefício dos cidadãos.
Defesa de um SNS público e universal
A CUDESP reafirma que a saúde é um direito fundamental consagrado na Constituição da República Portuguesa e considera que o SNS deve manter o seu caráter público, universal e tendencialmente gratuito.
“O Serviço Nacional de Saúde deve permanecer público, universal, tendencialmente gratuito e de qualidade, ao serviço de todos os portugueses”, conclui o comunicado assinado por Carlos Baptista.



A.Pinto / HDF
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