À entrada do novo ano hidrológico, o Algarve dispõe de 328 milhões de metros cúbicos de água armazenados nas seis principais albufeiras, que se encontram a 74% da capacidade, mais 13 milhões de metros cúbicos do que há um ano, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Os dados transmitidos à agência Lusa pelo presidente da APA, José Pimenta Machado, revelam uma melhoria das reservas hídricas da região. O responsável adverte, contudo, que a maior disponibilidade não deve conduzir a um abrandamento dos investimentos destinados a reforçar a segurança do abastecimento.
“Temos água. Não temos água para desperdiçar”, afirmou José Pimenta Machado, defendendo que os períodos de maior disponibilidade “devem ser aproveitados” para preparar o Algarve para futuros anos de seca.
Entre as prioridades identificadas pelo presidente da APA está a redução das perdas nas redes urbanas e nos sistemas de rega agrícola, através da recuperação dos volumes atualmente desperdiçados e de uma utilização mais eficiente dos recursos hídricos.
Dessalinização e ligação do Pomarão entre investimentos prioritários
A concretização do projeto de dessalinização é outra das medidas destacadas, por constituir “uma origem complementar de água menos dependente da precipitação” e funcionar como uma reserva de segurança em períodos de maior escassez.
José Pimenta Machado aponta ainda “como investimento estratégico” a ligação do Pomarão à albufeira de Odeleite, destinada a reforçar as disponibilidades hídricas e a resiliência do abastecimento ao Algarve.
A atual situação das reservas “não pode abrandar estes investimentos”, sendo, pelo contrário, uma oportunidade para avançar com os projetos antes de uma nova situação de escassez, defendeu o responsável.
Poupança deve manter-se em todos os setores
A poupança de água deve igualmente manter-se como prioridade nos diferentes setores, nomeadamente em casa, no turismo, na agricultura e nos serviços, através de utilizações mais eficientes, argumentou.
“A resiliência hídrica constrói-se antes da seca”, sublinhou o presidente da APA, defendendo que é no período de maior disponibilidade que devem ser preparadas as respostas para o futuro.
Os dados da APA/Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH) e da Região do Algarve reportam-se a segunda-feira.
Novo ano hidrológico começa a 1 de outubro
O ano hidrológico é um período de 12 meses, começando a 01 de outubro e terminando a 30 de setembro.
Inicia-se no mês de outubro por ser a época onde as reservas hídricas atingem o seu mínimo e onde começa o período chuvoso do ano.
O período húmido do ano hidrológico é de outubro a abril e o período seco de maio a setembro.
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