Um novo estudo publicado pela CNN Internacional a 19 de julho de 2025 veio confirmar aquilo que muitos suspeitavam, mas poucos queriam acreditar: a maioria dos alimentos que consumimos contém partículas invisíveis de plástico. Entre os produtos analisados, há um tipo de camarão muito consumido em Portugal que apresenta a maior concentração, com mais de 300 microplásticos por porção. Os investigadores falam num risco real para a saúde pública, já que estas partículas minúsculas estão a ser encontradas no sangue, na placenta e nas artérias humanas.
A investigação, centrada na análise de proteínas de origem animal e vegetal, mostrou que 90% das amostras recolhidas estavam contaminadas com microplásticos. Estes fragmentos, com tamanho inferior a 5 milímetros, e em muitos casos microscópicos (na escala de 1 micrómetro), surgem hoje em quase tudo o que comemos, incluindo alimentos inesperados como frutas, vegetais, sal ou açúcar.
Camarão panado no topo da contaminação
O alimento mais afetado, segundo os dados divulgados, é o camarão panado, com uma média superior a 300 partículas de microplásticos por dose. Em seguida, surgem os nuggets à base de plantas e os nuggets de frango. Produtos como peito de frango, tofu e lombo de porco revelaram concentrações bastante inferiores, refere a mesma fonte.
A presença destes poluentes é um reflexo direto da degradação do plástico presente no ambiente. Estima-se que existam cerca de 16.000 produtos químicos diferentes utilizados na produção de plásticos, dos quais mais de 4.000 são considerados altamente perigosos para a saúde humana e para o ecossistema.
Plásticos no sangue, no leite materno e nas artérias
O estudo vem juntar-se a uma crescente lista de investigações que detetam microplásticos em locais impensáveis do corpo humano, e não só no camarão panado como mencionado acima. Já foram encontrados no leite materno, no sangue, no trato digestivo e, mais recentemente, em tecidos arteriais do pescoço.
Uma das conclusões mais alarmantes, citadas pela mesma fonte, surge da análise de pacientes com micro e nanoplásticos nas artérias carótidas: estes indivíduos tinham o dobro da probabilidade de sofrer um enfarte, um AVC ou de morrer nos três anos seguintes, em comparação com pessoas sem vestígios dessas partículas.
Cientistas falam de risco real
A cientista Sherri “Sam” Mason, da Penn State Behrend, alertou para a perigosidade destas partículas, afirmando que “estes químicos podem migrar pelo organismo, instalar-se em órgãos vitais e até atravessar a barreira placentária”. A especialista destaca que, apesar de os microplásticos ainda não serem amplamente regulados, os seus efeitos já estão a ser identificados em várias dimensões da saúde humana.
Do lado da indústria, a Associação Internacional de Águas Engarrafadas veio a público sublinhar que, apesar da preocupação crescente, ainda não existe consenso científico definitivo sobre os efeitos diretos dos microplásticos na saúde. No entanto, essa falta de consenso não significa ausência de risco, como alertam cada vez mais investigadores.
Estimativas assustadoras sobre a exposição anual
Com base nos níveis de contaminação encontrados, os investigadores calcularam que um adulto poderá ingerir entre 11.000 e 29.000 partículas de microplástico por ano. Em casos de consumo elevado de produtos embalados ou processados, essa exposição pode atingir os 3,8 milhões de partículas anuais.
A ingestão não resulta apenas da alimentação direta: os microplásticos libertam-se de embalagens, utensílios de cozinha, água engarrafada e até de saquetas de chá feitas com materiais plásticos, que podem libertar biliões de partículas durante a infusão, segundo a fonte acima citada.
Recomendações práticas para reduzir o risco
Dada a impossibilidade de evitar por completo a exposição, os especialistas recomendam algumas estratégias para minimizar o risco:
- Evitar aquecer alimentos em recipientes de plástico;
- Optar por armazenamento em vidro, inox ou porcelana;
- Reduzir o consumo de alimentos processados e embalados;
- Privilegiar produtos frescos vendidos a granel;
- Usar tecidos e utensílios domésticos feitos de materiais naturais.
Não é só no mar: o plástico está já dentro de nós
O que este estudo demonstra com clareza é que os microplásticos deixaram de ser um problema ambiental distante para se tornarem uma ameaça concreta à saúde pública, de acordo com a CNN Internacional. Já não se fala apenas de poluição dos oceanos, mas de partículas que se acumulam no nosso corpo sem que tenhamos noção.
















