Um sismo de forte intensidade pode ocorrer no país a qualquer momento. Também sabemos que o Algarve se encontra numa zona de risco acrescido. Não é uma hipótese remota. É a realidade com que nos devemos confrontar.
A história já o provou e a ciência confirma: vivemos numa área onde a placa africana empurra permanentemente a placa Euroasiática, acumulando energia sem limites.
Esta energia acumulada poderá, repentinamente, ser libertada num sismo sem precedentes.
Vivemos numa zona onde a placa africana empurra, permanentemente a placa euroasiática
Quando isso acontecer, não existirá qualquer aviso prévio. Haverá impacto e o caos avassalador, de certeza absoluta.
As inundações são dramáticas, os incêndios são tragédias terríveis, mas os sismos são catástrofes com grande impacto e consequências, pelo desmoronamento de edifícios, habitações, hospitais, escolas, equipamentos fundamentais para socorro e para reação em caso de catástrofe.
Assistimos às consequências de um sismo de grande intensidade, nas imagens da Venezuela que, nestes dias, invadem a nossa vida. Estas imagens impressionantes podem surgir à nossa volta, instantaneamente.
Não existirão avisos prévios.
O sismo acontecerá a todo o momento. E então?
Os hospitais possuem condições de segurança e funcionamento de emergência para responder a um sismo?
Os geradores nos equipamentos de saúde e das entidades públicas, funcionarão?
Sabemos exatamente onde se encontram todas as máquinas especiais de perfuração e as de uso geral na construção civil, cuja ação em cada segundo contará para salvar vidas?
Na Venezuela, um dos maiores problemas resultantes do sismo foi a inexistência de máquinas ou ferramentas.
As escavações eram em desespero, realizadas à mão. E nós por cá?
As comunicações, entre pessoas e entidades, permitirão salvar vidas… ou, como aconteceu nos incêndios, bloquearão o contacto entre as vítimas e as organizações de socorro?
Os sistemas de comunicação serão fundamentais na reação à catástrofe
Os sistemas de comunicação funcionarão por via satélite ou através das redes cujos postos de retransmissão serão provavelmente destruídos pelo sismo?
Falta habitação? É uma realidade incontornável. Mas, perante uma catástrofe desta natureza a habitação de emergência existe de alguma forma e na escala adequada?
A mobilidade funcionará?
Quanto aos kits de emergência e aos alimentos? A população estará devidamente informada?
A ciência já explica pormenores preciosos para prevenção, no caso de sismos.
Sabemos que o grau de segurança anti sísmica dos edifícios, depende, em parte, da data em que foram construídos.
Será que se encontra disponível o mapa de risco sísmico por zonas?
O sistema de identificação dos edifícios de maior risco, existe?
Existem edifícios, em que o risco de desmoronamento em caso de sismo é acrescido. Estão localizados e identificados?
Quais os edifícios que colocam em risco um número acrescido de pessoas: escolas, estabelecimentos, prédios localizados em antigos núcleos urbanos. Estão identificados e localizados num sistema de informação geográfica??
Portugal precisa de estar preparado: famílias com planos de emergência, escolas treinadas, autarquias equipadas, edifícios reforçados.
A prevenção não é alarmismo — é responsabilidade.
Se, com este alerta se salvar uma única vida, todos nos sentiremos recompensados
Porque o próximo grande sismo não depende de um “se”, depende de… “quando”. Pode ser muito mais breve do que pensamos.
Muitos e mais importantes pormenores, para além dos que referimos, deverão ser tomados em consideração.
Leia tambem: Será que os sismos “só acontecem aos outros?” – Tragédias anunciadas ou mais vale prevenir? | Por António Nóbrega















