O medo da rejeição, do abandono, do julgamento ou da opinião dos outros influencia, muitas vezes sem nos apercebermos, a forma como nos relacionamos connosco e com os outros. Acaba por moldar os nossos comportamentos, decisões e atitudes, tornando-se uma espécie de piloto automático da nossa vida.
Mas quanto desses padrões são verdadeiramente nossos?
Quantos foram aprendidos através dos nossos pais, cuidadores, figuras de autoridade ou relações de dependência emocional? E, mesmo quando sentimos que são nossos, será que nos servem? Será que nos fazem sentir leves, confiantes e em paz, ou geram tensão, insegurança e sofrimento?
A mudança começa quando deixamos de fugir ao medo. Não se trata de o negar, esconder ou fingir que não existe. Pelo contrário. Trata-se de o reconhecer, identificar e aceitar. Admitir que existe medo. Admitir que não sabemos lidar com determinada situação ou pessoa. Admitir a vulnerabilidade.
Só depois podemos iniciar a transformação.
Reconhecer. Identificar. Aceitar. Mudar.
Mudar os pensamentos, as interpretações e as reações. Dar mais espaço às memórias, emoções e experiências positivas — aquelas em que nos sentimos capazes, confiantes, realizados e completos. Trazer essas sensações ao presente e permitir que ocupem um lugar maior na nossa mente e no nosso corpo.
Não existem receitas mágicas. Existe, sim, a possibilidade de mudar através da persistência, da consciência e da prática diária. Escolher um diálogo interno mais construtivo, criar hábitos que favoreçam a introspeção e reservar momentos para escutar a nossa verdade interior.
Ao fazê-lo, começamos a distinguir aquilo que realmente somos daquilo que apenas aprendemos a ser.
Reconhecer. Identificar. Aceitar. Mudar.
Quatro passos simples na teoria, mas profundamente transformadores quando vividos com autenticidade.
É assim que caminhamos para uma vida mais livre, mais consciente e mais alinhada com quem verdadeiramente somos.
- Artigo da autoria de Andrea Moura e Joaquim Caeiro
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