Escolher um código PIN simples pode facilitar a memorização, mas também pode aumentar o risco de utilização indevida do cartão. Combinações previsíveis, datas de nascimento ou números repetidos estão entre os exemplos que devem ser evitados, sobretudo quando o mesmo código é usado em vários cartões Multibanco.
O PIN continua a ser uma das principais barreiras de segurança associadas ao cartão bancário. Ainda assim, a sua eficácia depende muito da forma como é escolhido e protegido.
Combinações como 1234, 0000, anos de nascimento ou sequências associadas a datas pessoais podem parecer práticas, mas são também mais fáceis de testar por terceiros.
O método das duas âncoras
Uma forma de criar um PIN menos previsível passa por recorrer ao chamado método das duas âncoras. A ideia é escolher duas referências numéricas privadas, que façam sentido apenas para o próprio, e utilizá-las para transformar um número-base numa combinação aparentemente aleatória.
Desta forma, o código pode ser memorizado sem precisar de ficar escrito num papel, numa nota do telemóvel ou noutro local onde terceiros lhe possam aceder.
Imagine, por exemplo, que escolhe como “âncoras” os números 4 e 7 e utiliza como número-base 3021. Depois, aplica alternadamente cada uma das âncoras aos algarismos: 3+4=7, 0+7=7, 2+4=6 e 1+7=8.
O resultado seria o PIN 7768. Para quem desconhece a regra utilizada, a combinação não revela imediatamente qualquer data, sequência ou informação pessoal, mas o titular consegue reconstruí-la através do método que definiu.
O princípio pode ser adaptado a outras combinações, desde que as referências e a regra escolhidas sejam pessoais e não estejam associadas a informações facilmente descobertas, como datas de nascimento ou números de telefone.
Nos sistemas que permitem códigos com seis algarismos, a mesma lógica pode ser aplicada a uma sequência maior. Quanto maior for o número de combinações possíveis e menos previsível for o padrão utilizado, mais difícil se torna acertar no código através de simples tentativas.
Evite códigos que possam ser associados a si
Um dos cuidados mais importantes passa por escolher um número que não tenha uma relação direta com informações facilmente acessíveis.
Datas de nascimento, aniversários, matrículas, números de telefone ou outros elementos pessoais não são boas opções quando podem ser descobertos através de documentos, redes sociais ou outros meios.
Também não é aconselhável usar exatamente o mesmo PIN em diferentes cartões. Se um deles ficar comprometido, os restantes podem ficar mais vulneráveis.
Não escreva o PIN junto do cartão
Mesmo um código pouco previsível perde utilidade se estiver anotado num papel guardado na carteira. Em caso de perda ou roubo, quem tiver acesso ao cartão poderá encontrar também o respetivo código.
O mesmo cuidado deve ser aplicado a notas guardadas no telemóvel sem proteção ou a mensagens enviadas para outras pessoas.
Desconfie de terminais com aspeto estranho
Antes de inserir o cartão, observe a ranhura, o teclado e a zona envolvente.
Peças soltas, componentes desalinhados ou elementos que pareçam ter sido colocados sobre o equipamento original podem justificar a utilização de outro terminal.
Em caso de dúvida, a opção mais segura é cancelar a operação e recorrer a outra caixa automática.
Ative alertas para acompanhar os movimentos
As notificações através da aplicação bancária ou por outros canais disponibilizados pelo banco podem ajudar a detetar rapidamente uma operação que não reconhece.
Limites mais baixos para levantamentos e pagamentos também podem reduzir o impacto financeiro de uma eventual utilização fraudulenta.
Além disso, nunca deve revelar o PIN, códigos de autenticação ou palavras-passe a terceiros por telefone, mensagem ou email.
Um PIN forte não torna o cartão invulnerável
Não existe um método que torne um código PIN literalmente “impossível” de adivinhar.
Ainda assim, evitar sequências previsíveis, não reutilizar códigos, proteger o teclado e acompanhar os movimentos da conta pode tornar uma tentativa de fraude bastante mais difícil, de acordo com a recomendação do Banco de Portugal.
No final, a segurança do cartão depende da combinação entre um PIN pouco previsível e pequenos cuidados sempre que utiliza o Multibanco ou efetua um pagamento.
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