Há uma espécie de silêncio luminoso que antecede cada viragem de ano, não é apenas o som dos relógios a aproximarem-se da meia-noite é o eco de tudo o que vivemos a sussurrar-nos ao ouvido. O fim do ano é, assim, um laboratório emocional, um convite à análise, à despedida e à construção. As pessoas chamam-lhe metas, resoluções, desejos, nós preferimos pensar neles como arquiteturas internas, planos conscientes que permitem esculpir o futuro que desejamos habitar. Há sempre um encanto subtil quando o ano termina. Um silêncio breve, quase sagrado, onde o coração faz balanços e quase podemos ouvir todos os receios, todos os medos, todos os desejos, todas as esperanças. Um novo ano permite sentir para muitos que podemos ter uma nova oportunidade, um novo começo. Este marco temporal de virar de ano é para muitos, um sopro de esperança numa mudança real, mas para que a mudança aconteça precisamos de algo mais do que emoção, precisamos de intenção e estratégia, inseridos num diálogo interno e honesto entre o que sentimos, o que queremos e o que fazemos.

Presidente da Delegação Regional Sul da Ordem dos Psicólogos Portugueses
Todos os anos muitos repetimos o ritual, listas de desejos, promessas, intenções vagas. Queremos “ser felizes”, “ter saúde”, “mudar de vida”, mas o cérebro não trabalha com abstrações, trabalha com mapas, com detalhes, com direções.
Assim para este este Ano Novo propomos que os desejos venham acompanhados de objetivos, estratégia, plano de ação, de modo a programar os desejos, tornando-os alcançáveis. É transformar o “quero mudar” em “vou pensar numa estratégia e vou começar por aqui”. Trocar o “este ano é que vai ser” por “hoje dou o primeiro passo” e definindo cada passo a ser dado delicadamente.

Psicóloga e vogal da Direção Regional do Sul da Ordem dos Psicólogos Portugueses
É olhar para a versão de nós que ficou para trás com gratidão, mas não com saudade, permitindo que a nova versão mais lúcida, mais forte, mais alinhada se sente connosco à mesa e pergunte: do que é que precisas, onde queres ir, o que te faz feliz, qual a estratégia que vais usar, qual o plano que tens de seguir, os teus objetivos são claros e alcançáveis, vamos começar. Assim com esta estratégia que começa a ser implementada desde o início do ano, uma planificação clara e exequível ao chegar ao novo ano, não ficam apenas promessas ao ar, escrevem-se compromissos internos para a mente, para o corpo, para as relações, para a expansão pessoal.
Revisitar periodicamente estas metas ter persistência e não abandonar o que nos faz sentir vivos constrói destinos.
Porque os anos mudam por si, mas nós só mudamos se quisermos, se soubermos como e se tivermos intenção, disciplina, motivação, persistência, amor próprio e bondade connosco e com quem nos rodeia, e isso, mais do que um desejo, é uma decisão.
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