OCDE confirma: Portugal continua no topo da rigidez laboral
Portugal continua a destacar-se como um dos paÃses da OCDE com o mercado de trabalho mais rÃgido. O Employment Outlook 2026, agora divulgado pela organização, atualiza os indicadores de proteção do emprego com dados de 2025 e mostra que, desde a última atualização, referente a 2019, o nÃvel de rigidez laboral em Portugal praticamente não se alterou.
A publicação surge poucas semanas depois de a proposta de reforma laboral apresentada pelo Governo ter sido rejeitada na Assembleia da República, mantendo-se assim praticamente inalterado o enquadramento legal que regula despedimentos, contratos a termo e outras formas de contratação.
O indicador onde Portugal mais se destaca é o dos despedimentos individuais em contratos sem termo. O paÃs ocupa o 2.º lugar entre os 36 paÃses da OCDE, apenas atrás da Chéquia. Esta posição resulta sobretudo da forte proteção legal existente nos despedimentos sem justa causa. Neste domÃnio especÃfico, Portugal é mesmo o paÃs mais rÃgido da OCDE, reflexo de um enquadramento jurÃdico particularmente restritivo e de uma elevada complexidade processual, dimensão em que ocupa igualmente a 2.ª posição. Em contrapartida, apresenta uma posição intermédia no que respeita à aplicação prática da legislação (12.º lugar) e à s regras relativas ao aviso prévio e indemnizações (18.º).
Nos despedimentos coletivos em contratos sem termo, Portugal surge como o 6.º paÃs mais rÃgido da organização. Este indicador considera os regimes aplicáveis a processos de despedimento coletivo envolvendo diferentes dimensões de empresas e números de trabalhadores, refletindo um enquadramento legal mais exigente do que o observado na maioria dos restantes paÃses desenvolvidos.
Também os contratos a termo continuam sujeitos a uma regulamentação particularmente restritiva. No conjunto das regras aplicáveis aos contratos temporários e ao recurso ao outsourcing, Portugal ocupa o 7.º lugar da OCDE. Destaca-se, em especial, por ser o paÃs mais rÃgido da organização no que respeita ao término dos contratos a termo certo, sendo ainda um dos dois únicos paÃses onde trabalhadores com contrato a termo têm prioridade na contratação para vÃnculos permanentes e um dos poucos onde o fim destes contratos implica o pagamento de indemnização. A OCDE coloca ainda Portugal na 9.ª posição quanto à rigidez na contratação destes trabalhadores e na 14.ª relativamente à s restrições ao recurso ao outsourcing.
Seis anos depois da anterior avaliação, a OCDE conclui assim que Portugal continua entre os paÃses com maior proteção legal do emprego, mantendo um dos enquadramentos laborais mais rÃgidos do mundo desenvolvido, com prejuÃzo para a economia.
- Os factos vistos à lupa por André Pinção Lucas e Juliano Ventura – Uma parceria do POSTAL com o Instituto +Liberdade

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