Depois do eclipse solar de 12 de agosto, Portugal volta a ter motivos para olhar para o céu. Na madrugada de sexta-feira, 28 de agosto, um eclipse lunar parcial será visível em todo o país e na restante Península Ibérica, deixando quase toda a Lua mergulhada na sombra mais escura da Terra.
O fenómeno poderá ser acompanhado a partir de Portugal continental, Madeira e Açores, desde que as condições meteorológicas o permitam. Apesar de não chegar à totalidade, será um eclipse parcial muito profundo, com apenas uma pequena faixa da Lua a permanecer fora da umbra terrestre.
Eclipse lunar será visível em todo o país
Ao contrário dos eclipses solares, cuja observação depende de uma faixa geográfica relativamente limitada, os eclipses lunares podem ser vistos de qualquer local onde seja noite e a Lua esteja acima do horizonte.
De acordo com os dados da NASA, o eclipse de 28 de agosto será visível a partir das Américas, de África e de parte da Europa. Portugal e a restante Península Ibérica encontram-se dentro da zona de visibilidade.
A que horas começa o eclipse em Portugal?
Em Portugal continental e na Madeira, a entrada da Lua na penumbra começa pelas 02h23. Esta primeira fase provoca apenas um escurecimento discreto, que poderá ser difícil de distinguir nos minutos iniciais.
A fase parcial, quando a Lua começa a entrar na umbra e o escurecimento se torna evidente, tem início às 03h33. O ponto máximo acontece pelas 05h12, enquanto o fim da fase parcial está previsto para as 06h51.
Açores terão uma observação mais favorável
Nos Açores, devido à diferença horária, a fase penumbral começa às 01h23, seguindo-se o início do eclipse parcial às 02h33. O máximo será alcançado pelas 04h12 e a fase parcial termina às 05h51.
Em Ponta Delgada, a Lua estará a cerca de 31 graus de altura durante o máximo, permitindo uma observação mais confortável. Segundo os cálculos do TimeandDate para os Açores, até a última fase penumbral poderá ser acompanhada antes de a Lua se aproximar do horizonte.
Quase toda a Lua ficará na ‘sombra‘
A NASA calcula que, no momento máximo, aproximadamente 93% do diâmetro da Lua estará dentro da umbra, a zona central e mais escura da sombra projetada pela Terra. Esta medida não deve ser confundida com a área do disco lunar atingida pela sombra. De acordo com o a fonte anteriormente citada, a umbra cobrirá cerca de 96,2% da área visível da Lua, justificando a aparência de um eclipse quase total.
Será possível observar uma “Lua de Sangue”?
A expressão “Lua de Sangue” costuma ser utilizada nos eclipses lunares totais, quando todo o disco lunar fica mergulhado na umbra. Como uma pequena parte da Lua continuará iluminada diretamente pelo Sol, o fenómeno de 28 de agosto não será uma verdadeira Lua de Sangue.
Ainda assim, a parte escurecida poderá apresentar tonalidades avermelhadas, alaranjadas ou acobreadas. A intensidade da cor dependerá das condições da atmosfera terrestre, incluindo a presença de poeiras, nuvens e outras partículas.
Por que fica a Lua avermelhada?
Quando a Terra fica alinhada entre o Sol e a Lua, bloqueia a maior parte da luz solar. Contudo, alguma luz atravessa a atmosfera terrestre e acaba por ser desviada na direção da superfície lunar.
Segundo a explicação da NASA, a luz azul dispersa-se mais facilmente, enquanto os tons vermelhos e alaranjados conseguem atravessar melhor a atmosfera. É essa luz filtrada que pode dar à Lua uma aparência acobreada durante o eclipse.
Horizonte oeste deve estar desimpedido
Em Lisboa, Faro e Porto, a Lua estará a menos de 20 graus de altura durante o máximo e continuará a descer em direção ao horizonte oeste-sudoeste. No final da fase parcial, estará já muito baixa, a cerca de dois ou três graus do horizonte.
A observação deverá ser feita num local com uma vista desimpedida para oeste, sem edifícios, árvores ou elevações. A costa ocidental, pontos elevados, a Madeira e os Açores estarão entre as zonas geograficamente mais favoráveis da Península Ibérica.
O eclipse lunar pode ser observado diretamente, sem óculos especiais ou filtros. A NASA esclarece que todos os tipos e fases de um eclipse lunar são seguros para os olhos, embora uns binóculos ou um pequeno telescópio permitam acompanhar melhor o avanço da sombra terrestre.














