Um elemento dos Bombeiros Voluntários do Cacém foi suspenso e proibido de entrar no quartel por suspeita de ter furtado um colar avaliado em milhares de euros da mesa de cabeceira de um idoso a quem prestava socorro, avança o Jornal de Notícias.
O caso ocorreu na madrugada de domingo, perto das 4:00, quando uma ambulância foi mobilizada para uma emergência médica na residência de um homem com mais de 80 anos, que se encontrava em paragem cardiorrespiratória. O óbito acabou por ser declarado pela equipa de emergência médica.
Numa primeira fase, não terá sido detetada qualquer situação anormal. Mais tarde, porém, a filha do idoso consultou as imagens de uma câmara de videovigilância direcionada para a cama do pai e terá identificado um alegado furto.
Na manhã seguinte, a mulher contactou a corporação, pediu para falar com o comandante e mostrou as imagens.
Comandante diz que bombeiro foi suspenso de imediato
João Raminhos explicou ao Jornal de Notícias que a corporação tomou medidas disciplinares assim que teve conhecimento das imagens.
“Fui de imediato ao quartel, falei com a filha do idoso e, em face das evidências, tomámos imediatamente as medidas disciplinares contra o bombeiro. Este foi suspenso, entregou a farda e está impedido de entrar no quartel. Tentámos resolver as coisas no sentido de este devolver o colar, mas isso não aconteceu. Ele nega”, afirmou.
O comandante justificou a decisão com a necessidade de preservar a confiança da população nos operacionais que entram diariamente em residências para prestar socorro.
João Raminhos salientou que existem “42 elementos nesta corporação que, todos os dias, entram em casa de pessoas para realizar o socorro e tem de haver confiança por parte da população de que isto não acontece”.
O bombeiro estava ao serviço da corporação do Cacém há cerca de dois meses e tinha trabalhado anteriormente noutra associação humanitária.
Direção diz não haver indícios anteriores de comportamento semelhante
Num comunicado publicado esta sexta-feira, a direção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém afirmou não existirem informações anteriores que permitissem antecipar uma situação desta natureza.
“De acordo com as informações transmitidas pelo anterior corpo de bombeiros onde exerceu funções, era considerado um trabalhador de reconhecido mérito e bom desempenho profissional”, refere o comunicado.
A instituição acrescenta que “repudia, de forma firme e inequívoca, qualquer comportamento suscetível de comprometer os valores de integridade, confiança, respeito, humanidade e rigor que devem orientar a atuação de todos os que exercem funções no âmbito do socorro e da proteção de pessoas e bens”.
A direção manifestou ainda solidariedade para com a família do idoso.
“A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém manifesta a sua solidariedade para com a respetiva família, lamentando profundamente a perturbação, preocupação e inquietação causadas por esta situação. A direção reitera o seu compromisso absoluto com a ética, a dignidade do socorro, a confiança da população e a salvaguarda do bom nome dos seus bombeiros, trabalhadores, voluntários e de toda a Instituição”, lê-se na nota de Imprensa.
O bombeiro suspeito não entregou o colar e negou tê-lo furtado. Foi apresentada queixa na PSP.
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