Uma publicação de Vanessa Martins sobre a forma como avaliaria diferentes comportamentos de funcionários da sua empresa gerou uma discussão nas redes sociais sobre os limites do trabalho fora do horário laboral. Entre os cenários apresentados, a empresária afirmou que treinaria um trabalhador que não respondesse a mensagens depois do horário de trabalho, enquanto promoveria quem continuasse disponível durante as férias.
A atriz e empresária, ligada à empresa Frederica, apresentou as situações num vídeo publicado no Instagram. O formato partia de três possibilidades para cada funcionário: demitir, treinar ou promover, consoante o comportamento descrito.
Respostas que deram origem à discussão
Num dos cenários, Vanessa Martins afirmou que promoveria um trabalhador que lhe enviasse, fora do horário laboral, uma mensagem com uma ideia que considerasse muito boa. A mesma decisão seria tomada perante alguém que continuasse a responder a tudo durante o período de férias.
A situação que mais reações provocou foi, contudo, a do funcionário que não responde às mensagens depois do horário de trabalho. Nesse caso, a empresária escolheu a opção “treinar”. A publicação acabou por desencadear uma sucessão de comentários de utilizadores que contestaram esta abordagem.
“Promover quem responde fora de horas?”
No vídeo publicado, Vanessa Martins apresentou as respostas como um exercício perante situações hipotéticas. Na legenda, reconheceu que a realidade empresarial não se resume às três opções utilizadas na gravação.
“Nada como começarem a semana inspiradas!”, escreveu a empresária, acrescentando que, se a realidade fosse reduzida àquelas escolhas, “era fácil”. Também admitiu não saber se a sua equipa estaria “a rir ou a chorar” depois de assistir ao vídeo.
Entre as reações à publicação surgiu a crítica de que promover alguém por responder fora do horário de trabalho ou durante as férias seria uma prática inadequada. “Promover quem responde fora de horas e trabalha nas férias? Tudo errado. E ilegal”, escreveu um dos utilizadores.
As críticas centraram-se no direito a desligar
Outro comentário questionou diretamente a opção de treinar quem não responde depois do horário laboral. “Treinar uma pessoa para responder às mensagens de trabalho depois do horário de trabalho? Tóxico”, pode ler-se numa das respostas ao vídeo.
Houve também quem invocasse o direito ao descanso e às férias para contestar a situação apresentada. “Como na maioria dos líderes”, escreveu outro utilizador, acrescentando que a entidade patronal não deveria enviar emails ou fazer chamadas fora do horário e que “ir de férias, sem pensar em trabalho, é no mínimo um direito”.
Empresária diz que o objetivo era dar feedback
Vanessa Martins terminou a publicação com uma referência à diferença entre o exercício apresentado no vídeo e a realidade da gestão de uma empresa. A empresária frisou que as decisões numa organização não se resumem às três hipóteses utilizadas na gravação.
“Neste momento não sei se a minha equipa está a rir ou a chorar, depois de ver este vídeo”, escreveu, antes de concluir com uma mensagem sobre a importância do feedback. A publicação acabou, assim, por abrir uma discussão sobre disponibilidade profissional fora do horário de trabalho.
As reações dividiram-se sobretudo em torno da valorização de trabalhadores que permanecem contactáveis fora do período laboral e durante as férias. Foi precisamente essa associação entre disponibilidade permanente e progressão profissional que esteve no centro das críticas deixadas na publicação.
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