A futura linha de alta velocidade entre Porto e Lisboa continua a avançar e o mais recente projeto de execução confirma não apenas uma redução significativa dos tempos de viagem, mas também um conjunto de demolições de habitações e empresas ao longo do traçado. De acordo com a agência de notícias Lusa, a documentação atualmente em consulta pública até 29 de junho detalha os impactos previstos nos concelhos do Porto, Vila Nova de Gaia, Espinho e Santa Maria da Feira, numa infraestrutura que deverá permitir ligar Porto e Lisboa em apenas 1:15 h.
O projeto confirma que Campanhã continuará a ser uma das zonas mais afetadas pela expansão da futura rede ferroviária. No Porto, estão previstas demolições que abrangem 44 habitações, sete atividades económicas e ainda três edifícios de outras categorias, numa intervenção associada à ampliação da estação e à integração da nova linha.
Campanhã será muito afetada
Entre os locais abrangidos encontram-se várias habitações situadas na Rua da China e nas travessas da Presa da Agra e do Freixo. A proposta mantém assim uma parte substancial das afetações já conhecidas desde versões anteriores do projeto.
Ao mesmo tempo, desaparece também uma bomba de combustível localizada na Avenida Gustave Eiffel, uma das atividades económicas diretamente abrangidas pela execução das obras. A consulta pública agora em curso permite aos cidadãos analisar em detalhe as soluções técnicas previstas para esta fase da empreitada.
Gaia vê reduzir número de habitações afetadas
Em Vila Nova de Gaia, o cenário sofreu alterações relativamente à proposta apresentada anteriormente. Segundo a mesma fonte, o número de habitações diretamente afetadas desceu de pelo menos 64 para 43.
Esta redução está relacionada com a decisão de não avançar com a construção de uma estação em Vilar do Paraíso. A alteração evita a demolição de várias casas na zona de Guardal de Cima, inicialmente abrangidas pela infraestrutura prevista para aquela localização.
Empresas continuam entre as mais afetadas
Apesar da diminuição do impacto habitacional, o número de empresas abrangidas aumentou. A agência noticiosa refere que as afetações empresariais passaram de 22 para 37 unidades.
Na zona industrial de São Caetano mantêm-se previstas 15 demolições, enquanto na zona industrial dos Terços serão afetadas nove empresas. Já em Santo Ovídio, uma das áreas mais sensíveis do traçado, estão identificadas 14 habitações, seis empresas e ainda um edifício de tipologia não especificada.
Túneis e obras subterrâneas dominam o percurso
Grande parte da passagem da linha por Gaia será feita em túnel. O projeto contempla a construção do túnel de Vila Nova de Gaia, com cerca de 3,4 quilómetros de extensão, além dos túneis de Negrelos e Casaldeita.
Além das estruturas subterrâneas, estão igualmente previstas várias obras de engenharia de grande dimensão, incluindo uma nova ponte sobre o rio Douro, viadutos e pontes sobre linhas de água e infraestruturas rodoviárias. A proposta confirma ainda a futura estação de Gaia em Santo Ovídio e uma passagem superior abrigada em Campanhã.
Objetivo continua a ser encurtar distâncias
Em Espinho, na freguesia de Anta, o projeto prevê a afetação de oito habitações e três atividades económicas. Há ainda uma habitação abrangida já no território de Santa Maria da Feira.
De acordo com a Lusa, as obras do primeiro troço entre Porto e Oiã deverão arrancar ainda este ano, com conclusão prevista para 2030. A ligação integral entre Porto e Lisboa deverá ficar concluída em 2032, permitindo viagens em alta velocidade com possíveis paragens em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria. No mesmo horizonte temporal está também prevista a conclusão da ligação Porto-Vigo, que incluirá estações no aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença.
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