Uma depressão atlântica pouco habitual em pleno mês de agosto deverá aproximar-se de Portugal nos próximos dias. O cenário aponta para chuva em grande parte do território, vento forte e agravamento do estado do mar, com uma região particularmente exposta e um dia a concentrar os efeitos mais significativos.
O tempo deverá mudar de forma marcada em Portugal continental durante o próximo fim de semana. Uma depressão atlântica, atualmente localizada a nordeste dos Açores, deverá intensificar-se e avançar progressivamente para leste, aproximando-se da Península Ibérica e trazendo condições mais associadas aos meses de outono e inverno do que ao final de agosto.
Segundo a Meteored, com base nas projeções do modelo europeu ECMWF, os primeiros efeitos poderão fazer-se sentir no domingo, 23 de agosto, mas será segunda-feira, dia 24, que deverá concentrar a maior frequência e intensidade dos fenómenos. A chuva poderá então abranger praticamente todo o Continente, enquanto as rajadas poderão atingir localmente 60 a 80 km/h nas regiões mais expostas.
Depressão ganha força à medida que o anticiclone recua
A alteração do tempo está relacionada com uma mudança na circulação atmosférica sobre o Atlântico. A região de altas pressões que tem ajudado a manter condições mais estáveis deverá perder influência e fragmentar-se, deixando espaço para a progressão da baixa pressão.
Um dos núcleos anticiclónicos deverá recuar para sudoeste, enquanto outro se deslocará mais para norte e posteriormente em direção à Escandinávia. Esta configuração poderá permitir que a depressão atlântica se aprofunde rapidamente e avance em direção à costa ocidental portuguesa.
No sábado, dia 22, o sistema deverá ainda permanecer relativamente afastado. Já no domingo, a aproximação será mais evidente e as frentes associadas à depressão deverão surgir cada vez mais organizadas.
Chuva começa a chegar no domingo
Os mapas analisados pela Meteored apontam para a possibilidade de chuva ao longo de grande parte do litoral ocidental durante domingo, desde Viana do Castelo até Sagres.
A precipitação deverá apresentar maior frequência e intensidade a norte do Cabo Raso, embora também possa alcançar alguns setores do interior das regiões Norte e Centro. O cenário não aponta necessariamente para chuva contínua durante todo o dia, podendo existir períodos secos entre a passagem das diferentes áreas de precipitação.
O vento também deverá começar a aumentar de intensidade. Nos distritos de Lisboa e Leiria, bem como noutros locais mais expostos do litoral, são admitidas rajadas superiores a 50 km/h.
Segunda-feira será o pior dia
É para segunda-feira, 24 de agosto, que as atuais projeções concentram os efeitos mais significativos da depressão em Portugal. Nessa altura, o centro da baixa pressão poderá encontrar-se sobre ou nas proximidades do noroeste da Península Ibérica, possivelmente já sobre a Galiza, mas o território português deverá continuar sob influência de uma parte importante do sistema frontal.
A possibilidade de chuva estende-se então a praticamente todo o Continente, embora a distribuição e a intensidade não sejam iguais em todas as regiões. A precipitação deverá ser mais frequente e abundante a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, colocando sobretudo as regiões Norte e Centro entre as mais expostas ao episódio. O relevo poderá potenciar a chuva nas vertentes mais diretamente expostas aos fluxos húmidos provenientes do Atlântico.
Mesmo no Sul existe possibilidade de precipitação, embora, neste momento, o cenário mais significativo esteja concentrado a norte.
Vento pode atingir rajadas de 80 km/h
O vento deverá ser outro dos fenómenos mais relevantes durante a passagem da depressão. Depois de um primeiro reforço no domingo, o ECMWF aponta para uma intensificação do vento de sul durante segunda-feira, principalmente nas regiões Norte e Centro e nas áreas montanhosas ou particularmente expostas.
No período potencialmente mais crítico, que poderá ocorrer entre o meio da manhã e o meio da tarde de segunda-feira, são previstas rajadas que podem atingir localmente valores entre 60 e 80 km/h. A localização das rajadas mais intensas continuará, porém, dependente da trajetória exata da depressão. Pequenas alterações na posição do seu núcleo podem deslocar para norte ou sul as áreas mais afetadas.
Ondas podem atingir 5,5 metros
A aproximação da depressão deverá fazer-se sentir também no mar. O reforço do vento e a passagem do sistema frontal poderão provocar um agravamento temporário da agitação marítima na costa ocidental. Segundo os mapas da Meteored, poderão verificar-se ondas com alturas máximas próximas dos 5,5 metros em determinados períodos e setores da costa.
Numa primeira fase, o mar poderá apresentar-se mais agitado sobretudo a sul do Cabo Carvoeiro. Posteriormente, o agravamento poderá estender-se para norte e abranger grande parte da fachada atlântica portuguesa. Apesar disso, a previsão atual não aponta para um episódio marítimo particularmente excecional, embora a situação continue a exigir acompanhamento à medida que a depressão se aproxima.
Porque é esta tempestade pouco habitual em agosto?
A presença de depressões atlânticas junto a Portugal é comum durante os meses mais frios, mas torna-se menos frequente em pleno verão, período em que o anticiclone dos Açores tende a exercer maior influência sobre a Península Ibérica.
Neste caso, a perda temporária dessa influência abre caminho à passagem de uma estrutura frontal organizada, capaz de trazer chuva mais extensa, vento forte e agitação marítima numa altura do ano geralmente marcada por tempo mais seco.
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