Quase 170 mil pessoas estão inscritas nos cuidados de saúde primários em Portugal, mas não reúnem atualmente as condições necessárias para terem médico de famÃlia atribuÃdo. Os novos dados surgem depois de uma alteração à s regras do Registo Nacional de Utentes.
O balanço divulgado este sábado, 29 de agosto, mostra ainda que mais de 1,36 milhões de utentes elegÃveis continuam à espera da atribuição de um médico de famÃlia.
As autoridades deixam, no entanto, um aviso importante: manter os dados obrigatórios atualizados no Registo Nacional de Utentes é uma das condições necessárias para a atribuição de médico de famÃlia e para garantir determinadas comparticipações do SNS.
Porque há quase 170 mil inscritos sem direito a médico de famÃlia?
De acordo com os dados divulgados pela Administração Central do Sistema de Saúde, citados pela RTP, existem 169.844 pessoas inscritas nos cuidados de saúde primários que não reúnem atualmente as condições de elegibilidade para a atribuição de médico de famÃlia.
Neste grupo estão cidadãos sem tÃtulo de residente, pessoas que não beneficiaram de cuidados disponibilizados pelo SNS nos últimos cinco anos e utentes que manifestaram a opção de não ter este serviço. Destes últimos, são contabilizados 9.641 casos.
As novas regras do Registo Nacional de Utentes alteraram os critérios utilizados para determinar quem pode manter uma vaga de médico de famÃlia.
Não utiliza o SNS há cinco anos? Há uma nova regra
Uma das alterações relevantes diz respeito aos utentes que não apresentam qualquer contacto ou registo de utilização do Serviço Nacional de Saúde nos últimos cinco anos.
Nestes casos, a pessoa pode deixar de reunir as condições para manter uma vaga de médico de famÃlia. A mesma lógica aplica-se, em determinadas circunstâncias, a quem reside fora de Portugal.
O objetivo é fazer corresponder de forma mais rigorosa os registos existentes no sistema à população que efetivamente utiliza os cuidados de saúde primários.
E se os seus dados estiverem em falta?
Este é um dos pontos mais importantes para os utentes. A ACSS recorda que a atribuição de médico de famÃlia e a garantia da comparticipação de medicamentos e exames pelo SNS exigem que os dados obrigatórios estejam atualizados no Registo Nacional de Utentes.
Caso verifique que existem elementos em falta no seu registo, o procedimento indicado é simples.
O utente pode dirigir-se presencialmente a qualquer centro de saúde ou hospital do Serviço Nacional de Saúde e fornecer os elementos necessários. Segundo a informação divulgada, a atualização é feita de forma imediata.
Quantas pessoas continuam sem médico de famÃlia?
A 24 de agosto estavam inscritos nos cuidados de saúde primários 10.769.099 utentes.
Destes, 10.599.255 reuniam as condições necessárias para receber um médico de famÃlia. Cerca de 9.234.694 já tinham médico atribuÃdo, o que corresponde a uma cobertura nacional de 87%.
Ainda assim, 1.364.561 utentes elegÃveis continuavam à espera de médico de famÃlia.
Há grandes diferenças entre regiões
Os números mostram uma realidade bastante diferente consoante a região do paÃs.
O Norte apresenta a cobertura mais elevada, com 98%, seguido do Centro, com 95%. No Alentejo, a taxa é de 83% e no Algarve situa-se nos 80%.
Lisboa e Vale do Tejo apresenta a situação mais desfavorável, com uma cobertura de 74% e mais de um milhão de inscritos sem médico atribuÃdo nesta região.
Novos dados passam a ser divulgados mensalmente
A reorganização do Registo Nacional de Utentes pretende ainda tornar mais clara a diferença entre o número total de registos existentes e o número de pessoas que efetivamente reúne as condições para ter médico de famÃlia.
A partir de 31 de agosto, o Portal da Transparência do SNS passa a disponibilizar dois novos conjuntos de indicadores relacionados com os inscritos e a respetiva elegibilidade para atribuição de médico de famÃlia.
Estes dados serão atualizados mensalmente, permitindo acompanhar a evolução do número de utentes abrangidos e daqueles que continuam à espera de médico.
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