O número de casos de gastroenterite aumentou de forma significativa na ilha do Faial, nos Açores, desde o início de julho. Segundo o Notícias ao Minuto, mais de 400 pessoas com sintomas compatíveis com gastroenterite aguda foram assistidas no Hospital da Horta nas últimas semanas, levando as autoridades de saúde a reforçarem a vigilância e as recomendações à população.
Os dados divulgados pela Delegação de Saúde da Horta indicam que as idas ao Serviço de Urgência por diarreia e/ou vómitos começaram a aumentar a partir de meados de julho. Na semana analisada pelas autoridades, estes sintomas representaram cerca de um quarto dos atendimentos, sendo que, entre 1 de julho e 12 de agosto, foram registadas mais de quatro centenas de presenças com esta sintomatologia.
O aumento torna-se mais evidente quando comparado com o mesmo período do ano passado. Entre 1 de julho e 12 de agosto de 2025, o Hospital da Horta tinha registado 90 situações de gastroenterite, um valor bastante inferior ao verificado este verão. Apesar do crescimento, a grande maioria dos casos atuais apresenta um quadro ligeiro e resolve-se espontaneamente em poucos dias.
Origem do surto de gastroenterite continua por esclarecer
A origem deste aumento de casos ainda não foi determinada. A Delegação de Saúde da Horta mantém uma investigação para identificar o agente responsável, com colheitas e análises a diferentes potenciais veículos de transmissão. De acordo com o delegado de Saúde da Horta, Armando Faria, o quadro observado é compatível com uma gastroenterite de provável origem vírica, caracterizada por elevada transmissibilidade, mas habitualmente benigna.
Uma das hipóteses que tem sido analisada é a água de abastecimento público, mas as autoridades sublinham que, até ao momento, não existe qualquer evidência que relacione os casos com o consumo de água da rede pública. As análises continuam por precaução, enquanto a situação é acompanhada em articulação com o Hospital da Horta, a Unidade de Saúde da Ilha do Faial, as equipas de prevenção e controlo de infeção, a entidade gestora da água e a autarquia.
Como se proteger da gastroenterite e reduzir o risco de contágio?
Perante o aumento de casos, as autoridades recomendam sobretudo medidas simples de higiene. A lavagem frequente das mãos com água e sabão é uma das principais, especialmente depois de utilizar a casa de banho e antes de preparar ou consumir alimentos. Nos espaços frequentados por pessoas mais vulneráveis, está também a ser reforçada a limpeza e desinfeção das superfícies.
Quem apresentar sintomas deve permanecer em casa até recuperar e evitar preparar refeições para outras pessoas. A Delegação de Saúde recomenda ainda que não sejam feitas visitas a lares ou ao hospital até terem passado pelo menos 48 horas desde a melhoria dos sintomas, reduzindo assim o risco de transmissão a pessoas mais vulneráveis.
O Hospital da Horta aconselha igualmente a evitar alimentos fora do prazo de validade ou cuja conservação levante dúvidas. A unidade hospitalar recorda ainda que a gastroenterite provoca habitualmente sintomas como vómitos e diarreia, podendo deixar a pessoa mais fraca e indisposta, embora muitos quadros desapareçam ao fim de dois ou três dias.
Hidratação é um dos principais cuidados
Quando surgem vómitos ou diarreia, um dos cuidados mais importantes é manter uma boa hidratação. O Hospital da Horta recomenda a ingestão de líquidos em pequenas quantidades e de forma frequente, sobretudo quando existem vómitos, para tentar evitar a desidratação e facilitar a tolerância aos líquidos.
A autoridade de saúde reforça igualmente a necessidade de aumentar a ingestão de líquidos. Crianças, idosos e pessoas com doenças crónicas devem ser vigiados com particular atenção, uma vez que apresentam maior risco de desenvolver complicações relacionadas com a desidratação.
Quando deve procurar ajuda médica?
Nos casos ligeiros, a recomendação da Delegação de Saúde da Horta passa por contactar primeiro a Linha Saúde Açores, através do 808 24 60 24, ou o centro de saúde, reservando o Serviço de Urgência para situações em que existam sinais de alarme. O objetivo é também evitar uma sobrecarga desnecessária da urgência hospitalar.
Entre os sinais que justificam avaliação médica estão a desidratação, vómitos persistentes, incapacidade para ingerir líquidos, agravamento do estado geral ou presença de sangue nas fezes. Bebés, idosos e doentes crónicos merecem atenção acrescida perante este tipo de sintomas.
Autoridades afastam cenário de alarme
Apesar do número elevado de casos, as autoridades de saúde apelam à serenidade. A grande maioria das situações registadas tem apresentado evolução ligeira e as hospitalizações são descritas como raras, mantendo-se a investigação laboratorial para identificar o agente responsável pelo aumento das gastroenterites.
“Não há motivo para alarme; há, sim, motivo para manter os cuidados simples que interrompem a transmissão”, reforçou Armando Faria no mais recente ponto de situação divulgado pela Delegação de Saúde da Horta. Enquanto a origem dos casos não for determinada, a recomendação passa por manter os cuidados de higiene, permanecer em casa quando existem sintomas e reforçar a hidratação.
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