Quase oito em cada dez idosos residentes em lares não conseguem suportar os custos da instituição apenas com os seus rendimentos. O peso financeiro acaba por recair sobre filhos, netos e outros familiares, numa realidade que acompanha o envelhecimento da população e que coloca pressão crescente sobre os agregados familiares portugueses.
De acordo com a DECO PROteste, associação de defesa do consumidor, 79% dos idosos dependem de apoio familiar para fazer face às despesas associadas à permanência em estruturas residenciais para pessoas idosas (ERPI). Os dados resultam de um estudo realizado junto de 694 familiares de utentes que estiveram em lares nos cinco anos anteriores.
Uma despesa que ultrapassa os rendimentos
Os números revelam um desequilíbrio significativo entre aquilo que os idosos recebem e aquilo que pagam mensalmente. Em média, a permanência num lar representa um encargo de 1.343 euros por mês, incluindo a mensalidade e outros custos adicionais associados aos cuidados e serviços prestados.
Esse valor ultrapassa em cerca de 462 euros os rendimentos médios dos residentes, o que explica a necessidade de apoio financeiro por parte das famílias. Para muitos agregados, esta diferença traduz-se numa despesa regular que se prolonga durante anos e que condiciona a gestão do orçamento familiar.
A situação apresenta-se ainda mais exigente na Área Metropolitana de Lisboa e na região Norte, onde a diferença entre rendimentos e despesas é superior à média nacional. Nestas zonas, os custos mais elevados agravam a dificuldade de acesso a respostas adequadas para uma população que continua a crescer.
O desafio começa antes da entrada
O acesso a uma vaga constitui outra das dificuldades apontadas pelos familiares. Antes mesmo de enfrentar os encargos financeiros, muitas famílias deparam-se com longos períodos de espera para conseguir colocar os seus familiares numa instituição.
Para além disso, o estudo mostra que 44% dos inquiridos sentiram dificuldades em encontrar vaga. Nas instituições particulares de solidariedade social e nas Misericórdias, os tempos de espera tendem a ser mais prolongados devido à elevada procura e à limitada capacidade de resposta disponível.
Em média, passam 157 dias entre a inscrição e a admissão dos utentes. Em algumas situações, esse período pode ultrapassar os sete meses, obrigando as famílias a procurar soluções temporárias ou a recorrer a instituições que inicialmente não estavam entre as suas preferências.
Perante a escassez de vagas, cerca de um terço das famílias acaba por optar por um lar diferente daquele que considerava mais adequado. A disponibilidade imediata acaba frequentemente por ter mais peso na decisão do que fatores como a localização, a proximidade da família ou as condições pretendidas para o idoso.
Resposta insuficiente para uma população cada vez mais envelhecida
Portugal enfrenta há vários anos um processo de envelhecimento demográfico que aumenta a procura por respostas residenciais especializadas. A procura crescente coloca pressão sobre a rede existente e intensifica o debate sobre a capacidade de resposta do sistema.
Segundo a mesma fonte, é necessário reforçar a oferta de lugares em lares e tornar estas respostas mais acessíveis do ponto de vista financeiro. A organização considera igualmente importante aumentar a transparência dos custos cobrados pelas instituições, reforçar os recursos humanos e melhorar áreas como a saúde mental e o acompanhamento especializado dos residentes.
O estudo foi realizado entre setembro e novembro de 2025 junto de familiares de idosos que estiveram alojados em ERPI nos cinco anos anteriores. Segundo a mesma fonte, os resultados foram ponderados para refletir a distribuição nacional de camas disponíveis por região, permitindo traçar um retrato da realidade vivida por milhares de famílias portuguesas que procuram garantir cuidados dignos aos seus familiares mais velhos.
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