O filme “Playback”, realizado por Sérgio Graciano e dedicado à vida e carreira de Carlos Paião, reuniu 11.190 espectadores no primeiro fim de semana em exibição, tornando-se o filme português mais visto este ano nas salas de cinema.
Segundo dados estatísticos do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), divulgados hoje, “Playback” foi visto por 11.190 pessoas entre quinta-feira, dia da estreia, e domingo, período em que gerou cerca de 77.797 euros de receita de bilheteira.
Com apenas quatro dias de exibição, “Playback” passou a liderar entre as produções portuguesas estreadas este ano, ultrapassando “Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira, lançado em abril e que contabilizou 9.208 espectadores.
No conjunto dos filmes exibidos entre quinta-feira e domingo, o mais visto em Portugal voltou a ser “Homem-Aranha: Um novo Dia”, com 124.666 entradas. Desde a estreia, a 30 de julho, já soma 485.803 espectadores.
Filme revisita momentos da vida de Carlos Paião
O filme “Playback”, de Sérgio Graciano, recorda e reinterpreta alguns dos momentos da vida e da carreira do músico Carlos Paião, como a passagem pelo Festival da Canção, a formação em Medicina e o casamento com Zaida Cardoso.
“Quis fazer a história do homem e não a história do mito. Foi um homem brilhante, um letrista incrível”, afirmou o realizador Sérgio Graciano no final de julho, na antestreia do filme em Lisboa.
“Playback” é protagonizado pelo ator Rafael Ferreira, escolhido num ‘casting’ entre mais de duas centenas de candidatos.
O ator iniciou carreira em 2017, tem algumas experiências em teatro, cinema e televisão, mas considera que este é o seu “primeiro trabalho de maior destaque e também uma grande responsabilidade”, pela homenagem que presta ao músico, como recordou à Lusa em dezembro passado, durante a rodagem.
“Playback” conta ainda com interpretações de Laura Dutra, Beatriz Brás, Mariana do Ó, Rita Durão, António Mortágua, Anabela Moreira e Albano Jerónimo, entre outros.
A banda sonora é assinada pelo músico Paulo Furtado, ou The Legendary Tigerman, que ‘retrabalhou’ as canções de Carlos Paião, com os músicos que habitualmente o acompanham e também com o ator Rafael Ferreira.
Entre as músicas de Carlos Paião escolhidas para a banda sonora há um inédito, “Lisboa Lisboa”, que o cantor nunca chegou a editar e que, segundo Paulo Furtado, “é uma canção de amor dedicada a Lisboa”, como descreveu à Lusa em julho, quando tocou com Rafael Ferreira no festival Alive, em Oeiras.
Produção contou com colaboração de Zaida Cardoso
O filme é uma produção da Caos Calmo, tem argumento de Mário Cenicante e contou com a colaboração de Zaida Cardoso, a mulher de Carlos Paião.
Carlos Paião nasceu em 01 de novembro de 1957, em Coimbra, e morreu a 26 de agosto de 1988, na sequência de um acidente de automóvel. No meio destas duas datas, estava um homem que estudou Medicina, mas que se decidiu pela música, tendo composto mais de duas centenas de canções, muitas das quais já integradas no cancioneiro pop português.
Compôs, entre outras, “Cinderela”, “Pó de arroz”, “Vinho do Porto”, “Souvenir de Portugal” e “Playback”, e deixou os álbuns “Algarismos” (1982) e “Intervalo” (1988).
Ao longo da carreira, colaborou com o humorista Herman José – escreveu para ele as canções da personagem Serafim Saudade – e também com Amália Rodrigues, Lenita Gentil e Mísia, entre outros cantores.
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