Grande parte do ouro português está concentrada num só ponto do território nacional, num espaço que funciona como o centro operativo da gestão do numerário. É nesse complexo altamente vigiado, situado no concelho de Alenquer, que o Banco de Portugal guarda milhares de notas danificadas e a maior parte das reservas de ouro do país. No interior do complexo do Carregado estão muitos milhões de euros em barras de ouro, protegidos dia e noite por equipas especializadas, segundo a SIC Notícias.
O complexo do Carregado mantém uma vigilância permanente através das forças especiais da GNR e dos serviços de segurança do Banco de Portugal. Além da casa-forte onde se encontra quase metade do ouro de Portugal, a instalação recebe diariamente notas danificadas provenientes dos bancos comerciais, de empresas e de cidadãos que procuram recuperar dinheiro deteriorado.
É também ali que se fabricam novas notas, processo que depende sempre das decisões do Banco Central Europeu. Os 67 mil metros quadrados do complexo estão vedados ao público e concentram operações de verificação, triagem e destruição de notas que já não cumprem os critérios de circulação.
Notas destruídas, recuperadas e devolvidas à economia
Um dos episódios mais conhecidos no complexo ocorreu em 2017, após os incêndios de Pedrógão Grande, quando uma empresa destruída pelo fogo enviou um cofre com notas carbonizadas. O proprietário precisava do dinheiro para pagar salários numa altura em que muitos trabalhadores tinham perdido tudo.
De acordo com a mesma fonte, casos semelhantes chegaram durante a pandemia, num período em que a procura por numerário aumentou apesar da quebra das transações presenciais. Passaram a surgir notas enterradas ou guardadas em locais improváveis, facilmente reconhecíveis pelo estado de degradação.
Serviço gratuito de reembolso para notas danificadas
Segundo a mesma fonte, no ano de 2023, o Banco de Portugal recuperou manualmente mais de 650 mil notas, reembolsando cerca de 11 milhões de euros. Além das que chegam através dos bancos, milhares de cidadãos enviam notas incompletas ou fragmentadas.
Nesse ano, deram entrada no Carregado 28.768 notas nestas condições, num total reembolsado que ultrapassou 1,4 milhões de euros. O processo é gratuito: desde que a nota tenha mais de 50% da superfície original e seja considerada genuína, o valor é devolvido.
Entre os casos insólitos, é mencionado o caso de uma nota de 20 euros foi parcialmente destruída depois de ter sido mordida por um cão. Os técnicos tiveram de reconstruir o fragmento para confirmar a autenticidade. Se a nota reconstituída mantiver, pelo menos, metade da área original, o proprietário recebe o valor correspondente.
Dinheiro guardado em locais improváveis continua a surpreender
Chaminés, fornos e caixas improvisadas são alguns dos sítios onde o Banco de Portugal encontra notas completamente irrecuperáveis, conforme refere a SIC Notícias. Quando a deterioração é total, não há forma de devolver o valor ao proprietário.
As notas destinadas à destruição são incineradas em ambiente controlado e os resíduos resultantes são utilizados para produzir energia elétrica.
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