No Porto, há um café onde as garrafas e latas abrangidas pelo sistema Volta não seguem o percurso habitual de devolução. No Quinta Amarela, junto à estação de metro da Casa da Música, as embalagens são entregues diariamente a um cliente habitual com poucas posses, que consegue obter pelo menos cinco euros por dia através do reembolso.
O estabelecimento, aberto desde fevereiro de 2002 e gerido por familiares, decidiu adotar esta solução informal como forma de ajudar uma pessoa que frequenta regularmente o espaço. Ao mesmo tempo, a medida permite ao café evitar parte dos problemas associados à acumulação e posterior devolução das embalagens, num sistema que tem suscitado críticas entre pequenos comerciantes.
Ajuda que pode chegar a centenas de embalagens
Segundo a agência de notícias Lusa, David Leite explica que o homem recebe atualmente as garrafas de água, latas de refrigerantes e outras embalagens com depósito que são consumidas no estabelecimento. A ajuda representa, para este cliente, uma fonte diária de rendimento: consegue retirar “no mínimo cinco euros por dia”, o que corresponde a pelo menos meia centena de embalagens.
A decisão surgiu também perante as dificuldades práticas colocadas pelo sistema aos estabelecimentos comerciais. David Leite considera que existe uma questão relacionada com a gestão do stock das embalagens e com o respetivo tratamento contabilístico, sobretudo à medida que as quantidades aumentam. O responsável antecipa que os valores envolvidos possam chegar aos milhares de euros.
A solução encontrada pelo café não é, contudo, vista apenas como uma questão de logística. Para o responsável, trata-se também de uma forma de “ajudar um cliente com poucas posses”, que visita regularmente o espaço. O negócio funciona sem folga semanal e mantém uma atividade prolongada ao longo do dia.
Pequenos negócios pedem alterações ao sistema
Entre as críticas apontadas está a forma como as embalagens são cobradas consoante o destino que lhes é dado. David Leite defende uma “reformulação do sistema”, sobretudo para estabelecimentos com porta aberta, e questiona situações em que uma lata pode ser consumida no local sem o mesmo tratamento de outra que o cliente decide levar consigo.
Outro dos problemas identificados prende-se com a devolução das embalagens. O responsável considera que deveria existir um sistema de recolha diretamente nos estabelecimentos, evitando que os comerciantes tenham de transportar grandes quantidades de latas e garrafas até aos pontos de entrega.
“[Temos de] todos os dias encher um carro com latas, esperar horas na fila com sacos de plástico enormes, atrás de gente também com esses sacos, depois ou antes de um dia de trabalho”, lamenta David Leite. A operação, diz, representa uma dificuldade adicional para pequenos negócios que não dispõem de meios específicos para armazenar e transportar estas embalagens.
Recolha é uma das principais reivindicações
A questão não se limita ao Quinta Amarela. A Lusa ouviu outros estabelecimentos no centro do Porto, onde a recolha das embalagens surge também entre as principais reivindicações dos responsáveis. Num café e num bar visitados pela agência, os gerentes defenderam a possibilidade de as embalagens serem recolhidas diretamente nos próprios espaços.
Num dos estabelecimentos, é frequente aparecerem pessoas interessadas em receber garrafas e latas para posteriormente procederem à devolução e receberem o respetivo valor. Apesar disso, a gerência optou por continuar a tratar da devolução pelos próprios meios, devido às questões relacionadas com a gestão contabilística.
A implementação do sistema de depósito e reembolso, em abril, introduziu novas obrigações e procedimentos para comerciantes e consumidores. No caso dos estabelecimentos que lidam diariamente com grandes quantidades de embalagens, a gestão do espaço ocupado, o transporte e o tratamento contabilístico são algumas das questões que continuam a suscitar dúvidas e críticas.















