É um peixe de aspeto inofensivo e pode ser encontrado ao longo da costa portuguesa. No entanto, o consumo de determinados exemplares já foi associado a casos raros de alucinações que chegaram a prolongar-se durante três dias.
A espécie em causa é a salema, conhecida cientificamente como Sarpa salpa. O peixe apresenta um corpo prateado com riscas douradas e vive habitualmente em zonas costeiras rochosas, onde se alimenta sobretudo de algas.
Na maioria das situações, o seu consumo não provoca problemas. Contudo, alguns exemplares poderão acumular compostos tóxicos associados à alimentação, dando origem a uma intoxicação rara conhecida como ictioalieinotoxicismo.
Alucinações e pesadelos após a refeição
Entre os sintomas descritos encontram-se alterações visuais e auditivas, desorientação, pesadelos, tonturas, fraqueza muscular e perturbações digestivas.
Um artigo publicado na revista científica Clinical Toxicology analisou dois casos ocorridos no Mediterrâneo Ocidental. Num deles, um homem de 40 anos apresentou alucinações visuais e auditivas e recuperou cerca de 36 horas depois.
Segundo um estudo da National Library of Medicine, o segundo caso envolveu um homem de 90 anos que começou a ouvir sons inexistentes aproximadamente duas horas após comer salema. Os sintomas e os pesadelos prolongaram-se durante duas noites, tendo a recuperação completa ocorrido ao fim de três dias.
Casos são considerados raros
Os investigadores classificam este tipo de intoxicação como raro e admitem que as substâncias responsáveis ainda não estão totalmente identificadas.
A principal hipótese é que os compostos sejam ingeridos pelo peixe através de determinadas algas e se acumulem no organismo. A toxicidade poderá variar conforme a época do ano, a zona de captura e a alimentação recente do animal.
Isto explica por que razão a maioria das salemas é consumida sem consequências, enquanto apenas alguns exemplares estão associados a estes episódios.
Espécie vive na costa portuguesa
A salema está presente nas águas costeiras do Mediterrâneo e do Atlântico oriental, incluindo a costa portuguesa e as ilhas da Macaronésia.
A espécie costuma viver em cardumes, junto a fundos rochosos e zonas com abundância de algas. Os exemplares adultos apresentam uma alimentação quase exclusivamente herbívora.
Apesar dos casos documentados, não existe indicação de que a salema seja perigosa por definição. O alerta está relacionado com intoxicações raras e imprevisíveis.
Quem sentir alucinações, desorientação, vómitos ou outros sintomas neurológicos depois de consumir peixe deve procurar rapidamente assistência médica e indicar o alimento ingerido.
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