O processo que envolve Nininho Vaz Maia por suspeitas de tráfico de droga permanece em fase de inquérito e enfrenta entraves relacionados com o acesso a comunicações encriptadas encontradas no telemóvel do cantor. De acordo com o jornal Correio da Manhã, parte das mensagens trocadas através de aplicações protegidas continua inacessível às autoridades, o que estará a atrasar uma eventual acusação.
O equipamento foi apreendido em maio do ano passado, numa operação conduzida pela Polícia Judiciária (PJ), no âmbito de uma investigação que inclui suspeitas de tráfico de estupefacientes e associação criminosa.
Comunicações sob encriptação
Segundo a mesma fonte, no telemóvel constam conversas mantidas com membros de uma alegada organização criminosa através de plataformas como Sky e Telegram, conhecidas pelos sistemas de segurança que dificultam o acesso externo.
A impossibilidade de leitura integral dessas comunicações tem condicionado o avanço do processo. O jornal escreve que as mensagens protegidas por encriptação são um dos fatores que explicam o compasso de espera na investigação.
Nome surge em interceções
O nome do artista é referido em várias conversas intercetadas entre outros elementos da rede sob suspeita. Acrescenta a publicação que foram recolhidos indícios que apontam para um eventual envolvimento do músico desde 2021.
Entre os elementos analisados pelas autoridades estará uma deslocação a Espanha, durante a qual Nininho Vaz Maia terá sido alegadamente utilizado como “correio” de droga, refere a mesma fonte.
Buscas domiciliárias e formalidades legais
As buscas à residência do cantor ocorreram a 6 de maio. Segundo o mesmo jornal, os inspetores encontraram-no em casa, “a tomar o pequeno-almoço com os filhos”, antes de estes saírem para a escola.
Na operação foram apreendidos 4.000 euros em numerário e o telemóvel. Nesse mesmo dia, o artista deslocou-se às instalações da PJ, onde assinou o termo de identidade e residência, o auto de constituição de arguido e a lista de bens apreendidos, explica a publicação.
Defesa contesta cenário
O advogado Carlos Melo Alves confirmou ao Correio da Manhã que o cantor ainda não foi chamado a prestar declarações no processo.
O defensor já tinha considerado “ilógico” o cenário de transporte de droga para Espanha, sustentando que o seu cliente não realizou concertos naquele país e questionando a forma como tal deslocação poderia ter ocorrido.
Estrutura investigada e outros arguidos
Segundo o despacho da PJ citado pelo jornal português, Nininho Vaz Maia, de 38 anos, é identificado como um dos principais clientes de uma rede internacional de tráfico de cocaína, embora não desempenhasse funções de liderança.
O alegado cabecilha será Mauro Wilson, empresário ligado à construção civil, transportes e ramo automóvel. A investigação envolve ainda uma advogada, irmã de Mauro Wilson, cujo escritório foi alvo de buscas e que já foi constituída arguida. O processo mantém-se em investigação, enquanto o cantor continua a sua atividade artística sem comentários públicos sobre o caso.
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