Depois de uma vida marcada pelo trabalho e por períodos em que deixou a profissão para cuidar da família, Filomena chegou à reforma com uma pensão de pouco mais de 700 euros. O valor, contudo, não a afastou por completo do mercado de trabalho: continua a aceitar trabalhos em part-time sempre que surge oportunidade.
O caso foi contado numa reportagem do Público dedicada aos pensionistas portugueses que continuam a trabalhar depois da reforma. Filomena vive com o marido, Fernando, também reformado, e descreve uma realidade em que as despesas obrigam o casal a fazer contas cada vez mais apertadas.
Deixou a profissão para acompanhar o marido
Filomena trabalhou como técnica de farmácia, mas em 2007 acabou por abandonar a profissão para acompanhar o marido durante um período de doença. Quando tentou regressar ao mercado de trabalho, já não conseguiu voltar à sua área profissional.
Mais tarde, decidiu antecipar a reforma para poder cuidar da mãe. Reformou-se aos 66 anos, cerca de um ano antes de poder beneficiar da pensão completa, ficando com uma prestação mensal de pouco mais de 700 euros.
Apesar de reformada, continua disponível para trabalhar. Sempre que é chamada, faz part-time numa loja perto de casa, conseguindo assim acrescentar algum rendimento à pensão.
“O dinheiro tem de esticar”
O aumento do custo de vida tornou ainda mais apertado o orçamento familiar. Segundo o testemunho dado ao Público, as despesas mensais do casal no supermercado passaram de cerca de 250 a 300 euros para aproximadamente 400 euros.
A estratégia passa por reduzir despesas onde é possível. Carne e peixe aparecem menos vezes nas compras e até as deslocações são pensadas para evitar gastar combustível desnecessariamente. «O dinheiro tem de esticar», resume Filomena.
As férias também ficaram para trás. O casal conta que há mais de 20 anos que não faz férias, optando por controlar cuidadosamente os gastos do quotidiano.
Trabalhar depois da reforma não é um caso isolado
A situação de Filomena enquadra-se numa realidade que abrange milhares de pensionistas portugueses. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística mostram que uma parte dos pensionistas de velhice continua a exercer uma atividade profissional depois de começar a receber a pensão, sendo as necessidades financeiras um dos principais motivos apontados para essa decisão.
No caso de Filomena, continuar a trabalhar permite complementar uma reforma de pouco mais de 700 euros e ajudar a suportar um orçamento familiar pressionado pelo aumento das despesas.
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