As trotinetes elétricas partilhadas estão a desaparecer das ruas de algumas cidades portuguesas. Ao longo de 2026, várias autarquias decidiram travar estes serviços, enquanto noutras cidades o futuro deste meio de transporte continua a ser discutido.
Vila Nova de Gaia, Braga e Espinho estão entre os municípios onde os novos executivos autárquicos avançaram com decisões que levaram ao fim das operações de trotinetes partilhadas.
De acordo com a Lusa, a segurança rodoviária, o estacionamento desordenado e os conflitos com peões e outros utilizadores do espaço público estão entre as questões que têm alimentado a discussão.
Estas cidades já avançaram com o fim das trotinetes
Em Vila Nova de Gaia, a autarquia decidiu cancelar o concurso destinado à disponibilização do serviço. A decisão surgiu num contexto de crescente discussão em torno da utilização destes veículos e da sinistralidade.
Braga seguiu um caminho semelhante. Em junho, foi aprovado o cancelamento das trotinetes partilhadas, com o presidente da Câmara, João Rodrigues, a defender a necessidade de avaliar, repensar e regulamentar a presença destes veículos na cidade.
Mais recentemente, no final de julho, Espinho decidiu acabar com os serviços de bicicletas e trotinetes partilhadas.
Neste caso, a autarquia justificou a decisão com os problemas provocados pela desordem destes veículos no espaço público e com as consequências para a mobilidade e segurança.
Lisboa também está a discutir o futuro das trotinetes
A discussão não termina nestas três cidades. Em Lisboa, o futuro das trotinetes partilhadas voltou a ganhar destaque durante agosto.
O Automóvel Club de Portugal (ACP) propôs a realização de um referendo municipal sobre o fim das trotinetes na capital.
A proposta encontrou oposição por parte das empresas que exploram estes serviços. Bolt, Lime e Bird defendem que as principais causas da insegurança rodoviária passam também pela condução perigosa, pelas condições das infraestruturas e pela necessidade de maior fiscalização.
Coimbra admite que ainda não tem condições
Em Coimbra, a utilização destes veículos também está a ser reavaliada.
A presidente da Câmara, Ana Abrunhosa, afirmou que a cidade não tem, neste momento, condições para disponibilizar trotinetes partilhadas.
Está, contudo, a ser preparado um processo de concessão acompanhado por um regulamento destinado a estabelecer as regras para a utilização deste meio de transporte.
Também no Porto o tema ganhou força depois de um acidente que provocou a morte de uma jovem em abril. A Câmara aprovou então uma proposta para estudar a utilização das trotinetes elétricas e a sinistralidade associada.
Empresas dizem que se estão a adaptar às novas regras
Perante as decisões tomadas pelas autarquias, Bolt, Lime e Bird garantem que têm vindo a adaptar as respetivas operações à evolução das regras municipais.
As empresas apontam Lisboa e Porto como exemplos de colaboração com as autarquias e defendem que a micromobilidade pode continuar a fazer parte das cidades desde que existam condições adequadas.
Os operadores reconhecem, ainda assim, que o estacionamento incorreto das trotinetes representa um problema.
Entre as medidas implementadas encontram-se fotografias obrigatórias no final das viagens, sistemas de verificação do estacionamento através de inteligência artificial, avaliações dos utilizadores e aplicação de penalizações.
Operadores pedem mais espaços próprios para estacionar
As empresas consideram, porém, que a tecnologia e a fiscalização não são suficientes quando não existem locais devidamente assinalados para deixar estes veículos.
Defendem, por isso, uma maior colaboração com as câmaras municipais e mostram-se disponíveis para estudar modelos de coinvestimento na criação de espaços próprios para estacionamento.
A discussão deverá continuar nos próximos meses. Enquanto Gaia, Braga e Espinho já avançaram com o fim dos serviços, cidades como Lisboa, Porto e Coimbra continuam a avaliar que lugar as trotinetes elétricas partilhadas devem ocupar no espaço público.
Segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária citados pela Lusa, em 2025 foram registados 4.296 acidentes envolvendo velocípedes, categoria que inclui trotinetes, dos quais resultaram 28 mortes. No mesmo período, os sinistros envolvendo automóveis ligeiros, pesados e motociclos ascenderam a 57.195 e provocaram 352 mortes.
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