A evolução do surto de Ébola na África Central continua a preocupar as autoridades de saúde internacionais. Os números mais recentes divulgados mostram um aumento significativo de casos confirmados e de vítimas mortais num curto espaço de tempo, numa altura em que decorrem esforços para travar a propagação da doença na República Democrática do Congo e no Uganda.
De acordo com o Correio da Manhã, que cita informações avançadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o mais recente balanço aponta para 344 casos confirmados de infeção pelo vírus Ébola e 60 mortes associadas ao atual surto. Os dados representam uma subida de 14 contágios e 11 óbitos face à atualização anterior.
O que mostram os novos números
A atualização foi apresentada pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma conferência de imprensa realizada após uma visita à República Democrática do Congo. O responsável explicou que teve oportunidade de acompanhar no terreno o trabalho desenvolvido pelos profissionais de saúde envolvidos na resposta à emergência.
Apesar dos esforços em curso, o responsável alertou que a situação continua a exigir vigilância apertada. Citado pela publicação, Tedros Adhanom Ghebreyesus afirmou que o nível de transmissão permanece elevado dentro dos países afetados, embora o risco global continue reduzido.
Uganda também regista novos casos
Embora a República Democrática do Congo concentre a maioria das infeções registadas até ao momento, o vírus já atravessou fronteiras. O Uganda confirmou mais um caso da doença, elevando para 12 o número total de infeções identificadas naquele país desde o início deste surto.
Entre esses casos encontra-se também uma morte. Acrescenta a publicação que o Uganda é, até ao momento, o único país além da República Democrática do Congo a registar transmissão associada ao atual episódio epidemiológico.
Surto foi declarado em maio
A atual epidemia foi oficialmente declarada a 15 de maio no nordeste da República Democrática do Congo. Desde então, as autoridades sanitárias locais, em articulação com organismos internacionais, têm procurado reforçar a vigilância epidemiológica e os mecanismos de resposta.
Segundo a mesma fonte, continuam igualmente sob observação 116 casos considerados suspeitos. Estes números mantêm-se inalterados em relação ao balanço anterior, mas permanecem sob acompanhamento das equipas de saúde.
Doença conhecida, mas ainda perigosa
O vírus Ébola foi identificado pela primeira vez em 1976 e continua a ser uma das doenças infeciosas mais temidas devido à sua elevada taxa de mortalidade e facilidade de transmissão através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados.
A doença provoca uma febre hemorrágica grave e pode evoluir rapidamente para situações clínicas críticas. Entre os sintomas mais frequentes encontram-se febre elevada, dores musculares, fraqueza intensa, dores de cabeça, irritação da garganta, vómitos, diarreia e hemorragias internas, explica o site.
Autoridades mantêm vigilância
A OMS tem insistido na necessidade de reforçar os mecanismos de deteção precoce, isolamento de casos e acompanhamento de contactos para limitar a propagação da doença. A visita do diretor-geral à região afetada teve precisamente como objetivo avaliar o estado da resposta sanitária e reforçar a coordenação internacional.
O novo balanço demonstra que o surto continua em evolução e que os números podem sofrer alterações significativas de um dia para o outro. Enquanto prosseguem os esforços de contenção, as autoridades de saúde acompanham a situação de forma permanente para tentar evitar uma expansão mais alargada da doença.
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