Um britânico de 40 anos sobreviveu ao que parecia ser um acidente impossível de escapar com vida. Vishwash Kumar Ramesh saiu com ferimentos ligeiros do voo AI171 da Air India, que caiu logo após descolar de Ahmedabad rumo a Londres, matando 241 pessoas a bordo e dezenas em terra.
Especialistas apontam para um raro conjunto de factores
A surpreendente sobrevivência de Ramesh levou os peritos a examinarem atentamente o local onde estava sentado. Ocupava o lugar 11A no voo, junto à saída de emergência e à frente da asa, na secção mais resistente da fuselagem conhecida como “wing box”.
Ramesh conseguiu sair pelos próprios meios
Segundo o The Guardian, logo após o embate do avião contra edifícios, cerca de 30 segundos após a descolagem, Ramesh pensou que tinha morrido. Quando percebeu que estava vivo, viu uma abertura na fuselagem: “Consegui soltar o cinto, empurrei com a perna e rastejei para fora”, descreveu.
A estrutura do avião pode ter favorecido a fuga
Segundo Tony Cable, ex-inspetor sénior da Unidade de Investigação de Acidentes Aéreos do Reino Unido, o avião embateu com o nariz elevado, podendo ter rompido perto de Ramesh, o que lhe permitiu escapar sem ferimentos graves.
No seu lugar, Ramesh tinha espaço livre à frente em vez de assentos, o que lhe deu margem de manobra adicional. O professor John McDermid, da Universidade de York, acredita que essa configuração pode ter impedido que fosse esmagado como os passageiros à sua frente.
A proximidade da porta foi outro fator decisivo
McDermid destaca ainda que o lugar de Ramesh no voo, próximo da porta exterior dianteira, lhe deu uma curta distância para alcançar uma saída. “É possível que o impacto tenha soltado a porta e ele a tenha empurrado para sair”, sugeriu o académico.
A sorte de escapar ao impacto inicial foi essencial
Antes de pensar em fugir, Ramesh teve de sobreviver ao embate. O professor Ed Galea, da Universidade de Greenwich, especializado em evacuações aéreas, frisou: “Um acidente deste tipo raramente permite sobreviventes. O facto de alguém ter escapado é um milagre.”
Estudos anteriores confirmam a importância da proximidade das saídas
Investigação liderada por Galea revelou que, em acidentes menos severos, passageiros sentados até cinco filas de uma saída de emergência têm mais hipóteses de sobreviver. O professor admite que tenta sempre reservar lugares nessa zona.
Nem todos os sobreviventes conseguem sair a tempo
Galea admite que outros passageiros possam ter sobrevivido ao impacto, mas não conseguiram sair por estarem feridos ou longe de uma saída. Quem não adotou a posição de segurança poderá ter batido com a cabeça e perdido os sentidos.
A ausência de assentos à frente evitou lesões na cabeça
Como não tinha assentos diretamente à frente, Ramesh escapou a esse risco. Isso pode ter contribuído para se manter consciente e reagir rapidamente nos segundos críticos após o embate.
A rapidez na evacuação foi vital para escapar ao fogo
McDermid sublinha que mesmo tendo sobrevivido ao impacto, Ramesh teria morrido se não tivesse saído imediatamente. “Se ele não tivesse saído em poucos segundos, não teria sobrevivido por causa da bola de fogo”, afirmou.
O combustível para Londres agravou a explosão
O avião estava abastecido para um voo até Londres-Gatwick, e o combustível parece ter incendiado no momento da colisão. O facto de a asa estar atrás do lugar de Ramesh pode ter feito com que a explosão se propagasse para a retaguarda.
Galea acredita que Ramesh saiu da fuselagem antes de ser atingido pelas chamas. “O combustível podia estar a escorrer para trás, o que o deixou à frente da explosão”, explicou.
De acordo com o The Guardian, McDermid resume o que muitos pensam: “Foi um homem muito, muito azarado por estar naquele avião, mas também muito, muito sortudo por ter conseguido sair.”
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