Antes do jogo entre Cabo Verde e Espanha no Campeonato do Mundo, o nome de Vozinha era conhecido sobretudo entre adeptos dos Tubarões Azuis e de alguns campeonatos por onde passou. Depois da partida, passou a ser descrito pela imprensa internacional como um “muro” diante de uma das seleções mais fortes do mundo.
De acordo com a Flash!, Josimar José Évora Dias, mais conhecido como Vozinha, tornou-se uma das figuras da noite após uma exibição de grande nível frente à seleção espanhola, que conta com nomes como Marc Cucurella, Lamine Yamal, Rodri, Ferran Torres e Pedri.
Uma noite que mudou tudo
Aos 40 anos, o guarda-redes cabo-verdiano viveu um daqueles momentos que parecem escritos para o futebol. Frente a Espanha, segurou a baliza de Cabo Verde e tornou-se protagonista de uma história que rapidamente ultrapassou o relvado.
Segundo a Flash!, antes do encontro, Vozinha tinha cerca de 50 mil seguidores nas redes sociais. Poucas horas depois da partida, o número terá disparado para 5,7 milhões, reflexo do impacto da sua atuação e da curiosidade internacional em torno do seu percurso.
A exibição valeu-lhe elogios e deu nova dimensão à sua carreira, já longa, feita de passagens por vários países e marcada por uma história pessoal de superação.
Criado pelos avós em São Vicente
Vozinha nasceu na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, e cresceu longe dos pais. O pai cumpria serviço militar quando nasceu e a mãe trabalhava para sustentar a família, passando longos períodos fora de casa.
Foi nesse contexto que os avós assumiram um papel central na sua educação. O próprio guarda-redes contou, numa entrevista à FIFA citada pela Flash!, que nunca viveu com os pais e que cresceu sempre com os avós.
A alcunha que hoje corre mundo vem precisamente dessa infância. Quando jogava futebol na rua com rapazes mais velhos, muitas vezes levava pancadas e era gozado por alegadamente ir fazer queixa à avó. Desse episódio nasceu o nome pelo qual se tornou conhecido: Vozinha.
O futebol começou na rua
Como tantos jogadores cabo-verdianos, Vozinha começou a jogar nas ruas e em campos improvisados. O futebol fazia parte do quotidiano, mas estava longe de garantir uma vida estável.
Antes de conseguir viver da modalidade, o guarda-redes teve de trabalhar nas obras para ganhar dinheiro. Era uma fase dura, em que o sonho de ser futebolista profissional parecia distante, mas nunca desapareceu.
Depois de dias de trabalho físico exigente, ainda encontrava força para treinar. A rotina mostra uma das marcas do seu percurso: persistência. O futebol não lhe dava, nessa altura, sustento, mas continuava a ser o caminho em que acreditava.
Das obras aos campeonatos estrangeiros
A carreira acabaria por ganhar outro rumo quando Vozinha conseguiu sair de Cabo Verde e começar uma trajetória profissional fora do país. Passou por campeonatos como Angola, Moldávia, Chipre e Eslováquia, acumulando experiência e mantendo-se ligado à seleção cabo-verdiana.
Nos últimos anos, Portugal também entrou no seu percurso. Representou o Gil Vicente e o Desportivo de Chaves, da II Liga. Terminou contrato e, segundo a Flash!, estará atualmente sem clube por vontade própria.
Aos 40 anos, o estatuto de herói inesperado no Mundial surge numa fase em que muitos jogadores já estão afastados dos grandes palcos. No caso de Vozinha, o momento chegou tarde, mas com uma força difícil de ignorar.
Um símbolo para Cabo Verde
A prestação frente a Espanha tem também uma dimensão coletiva. Cabo Verde chegou ao Mundial como uma seleção com menor peso histórico no futebol internacional, mas com uma identidade competitiva cada vez mais reconhecida.
A exibição de Vozinha reforçou essa imagem. Ao travar uma equipa recheada de estrelas, o guarda-redes não se destacou apenas pela qualidade técnica, mas também pela forma como personificou a resistência da equipa. Para muitos cabo-verdianos, a noite foi mais do que um jogo. Foi uma demonstração de orgulho nacional e uma prova de que histórias vindas de contextos difíceis podem ganhar palco mundial.
O peso de uma carreira discreta
Antes desta exibição, Vozinha não era uma estrela global. A sua carreira foi construída longe das luzes dos grandes campeonatos europeus, entre clubes menos mediáticos, viagens, mudanças de país e desafios constantes. É precisamente isso que torna a história mais forte. O guarda-redes que agora ganhou milhões de seguidores não surgiu de repente. Chegou ali depois de muitos anos de trabalho, sacrifício e insistência.
Da infância em São Vicente às obras, dos treinos depois do trabalho aos relvados internacionais, o percurso mostra que o reconhecimento no futebol nem sempre chega cedo, nem sempre chega pelo caminho mais previsível.















