Nova estirpe de coronavírus identificado na China, designada coronavírus HKU5-CoV-2, pode estar perigosamente perto de se tornar capaz de infetar humanos. Cientistas americanos alertam que bastará uma pequena mutação para o vírus abrir caminho a potenciais surtos.
De acordo com o Executive Digest, o vírus pertence à mesma família do MERS-CoV, conhecido por uma taxa de mortalidade que pode chegar a um terço das pessoas infetadas. Esta ligação tem alimentado preocupações na comunidade científica.
Estudos apontam risco real
Investigadores da Universidade Estadual de Washington conduziram um estudo detalhado para avaliar como o coronavírus HKU5-CoV-2 interage com células humanas.
Experiências de laboratório mostraram que, segundo o mesmo site, pequenas alterações na proteína spike podem permitir que o vírus se ligue ao recetor ACE2, presente na garganta, na boca e no nariz.
Atualmente, a infeção limita-se a morcegos, mas os cientistas receiam que o comércio de animais selvagens na China facilite uma eventual passagem para humanos.
Experiências laboratoriais controladas
No laboratório, foram usadas técnicas de edição genética para criar pseudovírus com a proteína spike do coronavírus. Estes pseudovírus não se replicam, mas ajudam a testar a resposta de diferentes tipos de células.
As células humanas apresentaram baixa reação, exceto quando expostas a variantes com mutações específicas.
Segundo o Executive Digest, isto demonstra que o vírus poderá adaptar-se através de um hospedeiro intermediário.
Ligação ao MERS e histórico recente
O coronavírus foi identificado pela primeira vez em 2005 em morcegos no Japão. Só recentemente se confirmou que, tal como a Covid-19, este vírus utiliza o ACE2 para aceder às células humanas.
Pertence ao grupo dos merbecovírus, onde se inclui o MERS-CoV, responsável pela Síndrome Respiratória do Oriente Médio, descoberta na Arábia Saudita em 2012.
O MERS espalha-se através de camelos e mantém uma taxa de letalidade superior a 30%.
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Mutação preocupa virologistas
De acordo com o Executive Digest, a equipa americana alargou a análise a várias linhagens da família dos merbecovírus. A Linhagem 2 apresenta maior capacidade de entrada em células humanas, mas outras variantes do coronavírus HKU5-CoV-2 também mostraram facilidade de adaptação.
Os especialistas sublinham que uma evolução rápida pode acontecer se o vírus infetar um animal que funcione como ponte para humanos.
Monitorização contínua
Apesar de ainda não haver casos registados em pessoas, o estudo enfatiza a importância de vigiar a evolução do coronavírus HKU5-CoV-2. Alterações na proteína spike são consideradas um dos principais gatilhos para uma eventual transmissão entre humanos.
Prevenção e investigação em curso
Cientistas recomendam vigilância apertada em mercados de animais vivos e um reforço das medidas de biossegurança em laboratórios que manipulam este tipo de patógeno.
A comunidade científica continua a estudar o coronavírus HKU5-CoV-2 e outros merbecovírus para antecipar riscos e criar estratégias de resposta rápida caso ocorra um salto de espécie.
Conforme explica o Executive Digest, manter a investigação ativa e partilhar dados entre laboratórios é crucial para prevenir novas crises de saúde pública.
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