Em 1986, Portugal juntou-se à União Europeia com a promessa de crescimento, cooperação e integração. Quatro décadas depois, um dos rostos mais visíveis desta integração é o estudante Erasmus, que cruza fronteiras com uma mala cheia de sonhos.
O programa Erasmus+, um dos maiores sucessos da UE, é hoje a principal porta de entrada dos jovens portugueses para a Europa. E, segundo os dados da mais recente edição do ESNsurvey, promovido pela Erasmus Student Network, esse impacto é notório.
Para muitos estudantes portugueses, o Erasmus+ é a primeira experiência internacional. Os dados mostram que a maioria dos jovens portugueses nunca saiu do país antes de entrar no ensino superior, reforçando a importância do programa como ferramenta de acesso à Europa. É no âmbito da universidade que se concretiza, pela primeira vez, a Europa dos cidadãos.
As motivações para sair são claras: aprender novas línguas, conhecer outras culturas e desenvolver independência pessoal. Ao regressar, trazem na bagagem mais do que ECTS — trazem competências como comunicação intercultural, capacidade de adaptação e resolução de problemas, cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho europeu.
Mas esta mobilidade não é acessível a todos. 47% dos estudantes portugueses afirmam que apenas 25 a 50% dos custos da mobilidade são cobertos pela bolsa Erasmus+, e 34% relatam dificuldades financeiras significativas. Para muitos, a experiência europeia só é possível com o apoio da família ou trabalho extra. A disparidade económica continua a ser uma barreira à igualdade de oportunidades.
A mobilidade não forma apenas profissionais — forma cidadãos. Mais de 61% dos estudantes portugueses em Erasmus afirmaram que é extremamente provável que votem em futuras eleições europeias, um valor superior à média nacional. A experiência reforça o sentimento de pertença e o envolvimento político a todos os níveis. E, ainda que mais de 60% dos estudantes portugueses não participem em atividades nas comunidades de acolhimento, a experiência continua a ser transformadora. As universidades portuguesas, por sua vez, recebem mais de 50.000 estudantes internacionais por ano, posicionando o país como um destino de excelência no espaço europeu de ensino superior.
Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro e Braga são as cidades mais escolhidas por estudantes Erasmus que escolhem Portugal. Os principais países de origem? Itália, Roménia e Alemanha. Estes jovens vêm por causa do custo de vida acessível, do ambiente académico acolhedor e da riqueza cultural — e 68,5% saem satisfeitos com a experiência nas instituições portuguesas.
Mas, o que nos mostram na realidade estes dados? Mostram-nos que 40 anos depois, o poder central continua a não trazer resposta para o fosso de oportunidades, sem solução para as questões da habitação, com burocracia excessiva, datada. O financiamento do programa Erasmus + está em risco. Com o escalar dos conflitos armados e das pressões económicas, a educação e a juventude não são uma área estratégica relevante para os decisores políticos. Falta a confiança numa juventude ativa, que espalha os valores de uma Europa que já não se reconhece a si própria.
A aposta na juventude, a aposta no programa Erasmus+ é uma aposta num futuro melhor, onde realmente a união fará a força e através da educação, caminharemos em conjunto no caminho do projeto europeu.
Quarenta anos depois da sua adesão à União Europeia, Portugal já não é apenas Europa. É Europa para os outros. É ponto de partida e de chegada, de integração e de descoberta. O Erasmus+ tornou-se um dos maiores símbolos da cidadania europeia — e Portugal está, orgulhosamente, no centro desta rede.
Sobre o autor do artigo: Hélder Simões, natural de Barcelos, tem 25 anos e é presidente da Erasmus Student Network Portugal. Licenciado em Relações Internacionais pela Universidade do Minho, desde sempre se interessou pela dimensão internacional da vida e das áreas da Educação e Participação Cívica. Com a Erasmus Student Network Portugal, todos anos impacta mais de 15.000 estudantes internacionais através de várias atividades e iniciativas promovidas pelas 13 secções locais. Acredita no enriquecimento da sociedade através dos estudantes e da mobilidade internacional, que une culturas, pessoas e cria experiências inesquecíveis.

“40 Visões da Europa”
A 12 de junho de 1985, Espanha e Portugal assinaram o Tratado de Adesão às então Comunidades Europeias (Comunidade Económica Europeia, Comunidade Europeia da Energia Atómica e Comunidade Europeia do Carvão e do Aço). Este foi o terceiro alargamento.
O Europe Direct Algarve, a CCDR Algarve, a Eurocidade do Guadiana e outros parceiros transfronteiriços associaram-se para assinalar a data. A rubrica «40 Visões da Europa» vai dar voz a 40 pessoas (líderes políticos e associativos, jovens, cidadãos ,..)
Entre 4 de maio e 12 de junho (data da assinatura dos 40 anos do Tratado de Adesão) todos os dias um artigo . Mais informação sobre a campanha na página conjunta (4) Facebook
Leia também: 40 visões da Europa: Vista de Sagres a distância não é só geográfica | Por Gonçalo Branco

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