A madrugada de sexta-feira promete oferecer um espetáculo pouco comum no céu. Entre a noite de 27 e a manhã de 28 de agosto, será possível observar um eclipse lunar parcial particularmente profundo, um fenómeno durante o qual a sombra da Terra irá cobrir quase toda a superfície visível da Lua.
De acordo com a Euronews, canal europeu de informação internacional, o eclipse atingirá uma magnitude invulgar para um fenómeno deste tipo, chegando a cobrir cerca de 96% do disco lunar no momento de maior intensidade. Embora não seja um eclipse total, a proximidade desse limite poderá proporcionar imagens impressionantes para quem conseguir encontrar um céu limpo.
Um eclipse quase total
Os eclipses lunares parciais ocorrem quando o Sol, a Terra e a Lua não ficam perfeitamente alinhados. Nestas circunstâncias, a Lua atravessa apenas uma parte da sombra projetada pela Terra no espaço, entrando e saindo gradualmente da zona mais escura sem chegar a desaparecer por completo.
O fenómeno acontece poucas semanas depois do eclipse total do Sol que despertou grande interesse em vários países europeus durante o mês de agosto. A ligação entre ambos os eventos não é coincidência. Os eclipses lunares tendem a ocorrer cerca de duas semanas antes ou depois de um eclipse solar, devido à geometria das órbitas envolvidas.
Nesta ocasião, a Lua Cheia de agosto, tradicionalmente conhecida como Lua do Esturjão, poderá adquirir tonalidades avermelhadas e acastanhadas à medida que avança para a parte mais escura da sombra terrestre. O efeito resulta da passagem da luz solar pela atmosfera da Terra, que filtra determinadas cores e deixa passar sobretudo os tons avermelhados.
Ao contrário do que acontece durante um eclipse solar, não será necessário utilizar qualquer tipo de proteção ocular. A observação direta da Lua durante o fenómeno é totalmente segura. Quem possuir binóculos ou telescópio poderá, no entanto, apreciar com maior detalhe a progressão da sombra.
Portugal entre os países com melhores condições
Portugal encontra-se entre os países europeus onde será possível acompanhar grande parte do eclipse. O fenómeno começa às 02h23 e prolonga-se até às 08h01, permitindo observar todas as fases desde que as condições atmosféricas sejam favoráveis.
Lisboa e Amadora surgem, para já, entre as zonas com previsões mais favoráveis, enquanto Braga e Coimbra também apresentam boas probabilidades de céu limpo. Como acontece em qualquer observação astronómica, a nebulosidade poderá ser determinante para a qualidade da experiência.
Espanha também deverá beneficiar de condições favoráveis, tanto na Península Ibérica como nos arquipélagos das Baleares e Canárias. Em Itália, cidades como Nápoles, Roma e Veneza surgem entre os locais onde o céu poderá oferecer melhores oportunidades de observação.
Já em França, as previsões apontam para maior nebulosidade e possibilidade de chuva em algumas regiões, o que poderá dificultar a visualização do fenómeno. Na Alemanha, os observadores localizados mais a oeste terão uma janela temporal ligeiramente mais ampla para acompanhar o eclipse antes do nascer do sol.
Melhor momento para olhar para o céu
O instante mais aguardado ocorrerá pouco depois das 06h10 da manhã. Nessa fase, a Lua estará praticamente mergulhada na sombra da Terra, tornando-se visível apenas uma estreita faixa iluminada.
Além da dimensão do eclipse, a proximidade do amanhecer poderá criar um contraste visual particularmente interessante entre os tons quentes do horizonte e a coloração escurecida da Lua.
Quem não conseguir acompanhar o fenómeno ao vivo poderá recorrer a transmissões online especializadas que irão mostrar a evolução do eclipse em direto. Segundo a mesma fonte, o momento de máxima cobertura deverá ocorrer quando a Lua apresentar um aspeto invulgarmente escuro e avermelhado, oferecendo uma das observações astronómicas mais marcantes deste ano para os entusiastas do céu noturno.















