A região do Algarve voltou a destacar-se nos indicadores económicos regionais de 2024, ao registar um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) acima da média do país e ao aproximar-se da média europeia em termos de PIB ‘per capita’ em paridades de poder de compra, segundo as Contas Regionais e as Contas Nacionais divulgadas esta quarta-feira, 17 de dezembro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE)
No retrato europeu, o INE sublinha que “no contexto da UE27, o PIB per capita em paridades de poder de compra da Grande Lisboa voltou a superar a média da UE27, atingindo 128,9%”, sendo a única região portuguesa acima do valor de referência europeu (100%). Ainda assim, o Algarve continua a convergir com a União Europeia e
“alcançou 89,2%”, enquanto a Madeira ficou nos 88,3% e o Alentejo manteve-se nos 77,1%. Açores (72,5%), Centro (70,7%) e Norte (70,8%) registaram também valores inferiores, tal como o Oeste e Vale do Tejo (64,6%) e a Península de Setúbal (55,4%), que “continuam a apresentar os níveis de PIB per capita mais baixos face à média europeia”.
Em termos nacionais, tendo como base a média portuguesa igual a 100, “a Grande Lisboa continua a apresentar o índice de disparidade regional do PIB per capita mais elevado (156,5)”, seguida do Algarve, que surge como a segunda região do país acima da média nacional, com “108,3”. A Madeira apresenta “107,2”, enquanto “a Península de Setúbal mantém o índice de disparidade do PIB per capita mais baixo de todas as regiões (67,3)”. O INE acrescenta que “em 2024 os resultados indiciam, assim, uma ligeira atenuação da disparidade regional
do PIB per capita relativamente a 2023”, devido à redução do índice da Grande Lisboa e ao aumento do índice da Península de Setúbal. No plano do poder de compra, Portugal melhorou em 2024, com o INE a indicar que o país subiu para 82,4% da média europeia, mais 1,3 pontos percentuais do que em 2023, mantendo-se na 15.ª posição entre os 20 países da zona euro e na 18.ª da União Europeia.
Algarve cresce acima do país em 2024 e beneficia de turismo, indústria e agricultura
As Contas Regionais do INE mostram também que a maioria das regiões registou um crescimento real do PIB semelhante ao do país em 2024. O crescimento real nacional foi de 2,1% e “estima-se que o Alentejo (1,1%) e a Região Autónoma da Madeira (1,5%) tenham registado os desempenhos mais fra-
cos”. No restante território, “a evolução foi próxima da média nacional” e as regiões Norte, Algarve e Açores apresentaram “um crescimento 0,2 p.p. superior ao país”. No caso do Algarve, o INE identifica como determinante o contributo do setor ligado ao turismo e serviços. O ramo do “comércio, transportes, alojamento e restauração teve impacto significativo no VAB do Algarve e da Região Autónoma dos Açores, com crescimentos de 1,7% e 4,1% respetivamente (contributos de 0,7 p.p. e 1,1 p.p.)”. Além disso, a região beneficiou “do crescimento do VAB da indústria e energia (9,9% e 6,4%, respetivamente) e da agricultura, silvicultura e pescas (8,9% e 7,1%, pela mesma ordem)”.
Já em termos nominais, quando o crescimento do PIB nacional foi de 7,1% em 2024, o Algarve surge como a região com maior variação, com “8,3%”, acima de outras regiões que também cresceram acima da média, como a Península de Setúbal (7,8%) e a Madeira (7,5%). O INE refere ainda que o Norte (7,2%), a Grande Lisboa e os Açores (7,1%) ficaram próximos da média, enquanto Centro (6,7%), Oeste e Vale do Tejo (6,6%) e Alentejo (4,5%) cresceram menos.
Os dados do INE fecham ainda os valores de 2023, ano em que o PIB nacional cresceu 3,1% em volume, com o Algarve a registar um crescimento real de 3,4%, entre as regiões com evolução mais acentuada.
Para o Algarve, os indicadores agora divulgados confirmam um duplo sinal: por um lado, a região mantém-se como uma das mais dinâmicas do país em crescimento económico; por outro, apesar da convergência, continua abaixo da média da União Europeia no PIB ‘per capita’ em paridades de poder de compra, numa realidade em que apenas a Grande Lisboa ultrapassa esse patamar.
















