Valores de espera que chegaram a apontar 17 horas para um doente muito urgente em Portimão não correspondiam à realidade e resultaram de problemas informáticos na origem dos dados enviados ao Portal do SNS, confirmaram a ULS do Algarve e os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde.
A informação incorreta foi divulgada no sábado, 15 de agosto, para os serviços de urgência dos hospitais de Faro e Portimão. Dois dias depois, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) esclareceram que a falha teve origem no sistema utilizado localmente.
O Portal do Serviço Nacional de Saúde recebe os dados fornecidos pelas Unidades Locais de Saúde, cabendo a cada estrutura garantir que a informação disponibilizada no sistema nacional está correta.
Sistema calcula médias com poucas horas de atividade
No Algarve, os tempos de espera publicados no portal são alimentados pelo sistema Alert.
O presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Algarve, Tiago Botelho, explicou que, em condições normais, o sistema calcula os valores médios a partir de poucas horas de atividade.
“Em condições de funcionamento normal, o sistema Alert, que fornece os dados dos tempos de espera para o Portal do SNS, faz uma média de poucas horas de atividade”, afirmou.
Este método torna os resultados particularmente sensíveis a ocorrências pontuais, sobretudo durante a noite, quando o número de admissões é mais reduzido.
Os valores podem, assim, ser alterados de forma significativa por um pequeno número de registos clínicos ou administrativos incorretos. “No caso desta noite, estivemos com erros no sistema Alert”, explicou Tiago Botelho, referindo-se ao período entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado.
Registo de 17 horas era “falso e impossível”
Durante a manhã de 15 de agosto, o Portal do SNS apresentou tempos de espera que, de acordo com a administração da ULS, não refletiam a situação efetiva dos serviços.
Em Portimão, surgiu um registo de 17 horas para um doente classificado como muito urgente. “Estava um utente muito urgente em Portimão com 17 horas, o que era falso e impossível”, afirmou Tiago Botelho.
O registo anómalo acabou por inflacionar a média apresentada ao público. Depois da correção, o tempo indicado para o Hospital de Portimão caiu de cerca de 13 para quatro horas em poucos minutos. Para o responsável da ULS, uma alteração dessa dimensão num intervalo tão curto era “obviamente matematicamente impossível” e demonstrava que os dados anteriores não eram fiáveis.
Mesmo as quatro horas posteriormente indicadas para Portimão continuavam, segundo Tiago Botelho, a não corresponder à situação real.
“Não é real, visto que já não se encontram à espera os 25 doentes que o Portal apresenta”, declarou.
Faro apresentava valor próximo da realidade
Pelas 14:50 daquele sábado, o Portal do SNS indicava cerca de 41 minutos de espera em Faro para doentes classificados como urgentes.
Tiago Botelho considerou que esse valor já estava “próximo da realidade”.
O responsável rejeitou igualmente que, pelas 12:00, existissem doentes urgentes ou muito urgentes ainda por observar nos hospitais
de Faro e Portimão, apesar da informação então apresentada no portal. “À hora a que a Lusa se refere, 12:00, não existia um único doente laranja ou amarelo para ser visto, segundo a informação da chefe de equipa da urgência de hoje”, afirmou.
Problema foi resolvido no próprio dia
Os SPMS confirmaram que a situação ficou resolvida ao longo de sábado.
Fonte daquela entidade salientou que o portal nacional apenas reproduz a informação que recebe das estruturas locais, pelo que situações semelhantes correspondem a falhas nos dados fornecidos na origem.
Durante o período em causa, os tempos apresentados pelo Portal do SNS para Faro e Portimão “não estavam a refletir com rigor” a realidade das duas urgências, concluiu o presidente da ULS do Algarve.
A.Pinto / HDF















