Os pensionistas portugueses estão atentos ao que poderá acontecer no próximo ano. Depois do bónus extraordinário pago em setembro, o Governo veio agora esclarecer se haverá, ou não, novo suplemento às pensões em 2026.
De acordo com o Notícias ao Minuto, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, admitiu que repetir a medida será “muito mais difícil”, embora sem fechar completamente a porta à possibilidade. As declarações foram feitas numa entrevista à Rádio Renascença, na véspera da discussão do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) no Parlamento.
Segundo o ministro, o próximo exercício orçamental será marcado por um contexto mais exigente, sobretudo devido ao impacto dos empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). “É muito mais difícil em 2026 porque, por estes fatores que referi, nomeadamente nos empréstimos PRR, nós mantemos o ponto que dissemos em 2024 e 2025: dependerá da execução orçamental. Mas é bastante mais difícil fazê-lo em 2026 do que foi fazê-lo em 2024 ou 2025”, explicou Joaquim Miranda Sarmento, citado pelo Notícias ao Minuto.
Governo admite dificuldades, mas mantém esperança
Apesar da prudência, o Governo não descarta totalmente um novo suplemento. Segundo a mesma publicação, Joaquim Miranda Sarmento sublinhou que, caso exista margem orçamental, “voltará a atribuir um suplemento extraordinário de pensões”, embora sem garantias concretas.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, já tinha deixado uma promessa semelhante, indicando que o Orçamento do Estado de 2026 incluirá um aumento do Complemento Solidário para Idosos (CSI) e, se houver folga nas contas, um novo suplemento a meio do ano.
O documento do OE2026 confirma essa intenção: “O Complemento Solidário para Idosos (CSI) irá subir 40 euros em 2026, para os 670 euros mensais. Adicionalmente, será avaliada a possibilidade de um suplemento extraordinário aos pensionistas.” O mesmo texto indica que estas medidas representam um investimento total de 700 milhões de euros em prestações sociais.
O que se sabe sobre o bónus anterior
Em setembro de 2024, o Governo atribuiu um suplemento extraordinário que custou 400 milhões de euros ao Estado. Foram abrangidos cerca de 2,3 milhões de pensionistas da Segurança Social, da Caixa Geral de Aposentações (CGA) e do setor bancário.
De acordo com o Notícias ao Minuto, o valor do bónus variou consoante o escalão da pensão: 200 euros para pensões até 522,50 euros, 150 euros para pensões entre 522,50 e 1.045 euros e 100 euros para pensões entre 1.045 e 1.567,50 euros.
O suplemento foi justificado como uma compensação pelo aumento do custo de vida e pela perda de poder de compra sentida pelos reformados, num contexto de inflação elevada.
O que esperar de 2026
Para já, o cenário permanece em aberto. O ministro das Finanças reconhece que o equilíbrio das contas públicas será mais apertado, mas garante que o Governo mantém o compromisso de apoiar os rendimentos mais baixos.
A execução orçamental e a evolução dos fundos do PRR serão determinantes para decidir se o suplemento extraordinário volta, ou não, a ser pago no próximo ano.
Até lá, os pensionistas mantêm-se em alerta, à espera de perceber se o prometido reforço de rendimentos voltará a repetir-se em 2026.
Leia também: Diga adeus ao calor e prepare o casaco: meteorologistas já sabem quando chega o ‘frio de rachar’ a Portugal
















