Quando, em 2024, 43% dos portugueses declararam já possuir criptoativos, quase o dobro da média europeia de 22%, ficou claro que esse mercado conquistou os investidores. Muitos deles deram os primeiros passos com Bitcoin ou Ethereum, mas atualmente há muitas outras opções, pois já existem mais de 25.000 tokens listados.
Moedas estabelecidas vs novas criptomoedas
Bitcoin, Ethereum e as principais stablecoins concentram cerca de dois terços do valor de mercado global. Esta dominância traduz-se em maior liquidez, menor slippage na compra ou venda e uma narrativa testada de longo prazo.
Além disso, o novo Regulamento europeu dos Mercados de Cripto-Activos (MiCA) exige licenças específicas para quem presta serviços sobre cripto-activos na União Europeia (UE), reforçando o escrutínio sobre as grandes plataformas. Para o investidor que privilegia segurança operacional e de custódia, estas moedas oferecem o ecossistema mais maduro.
No extremo oposto encontram-se os tokens que surgem em redes DeFi, jogos “play-to-earn” ou memecoins. O relatório conjunto mais recente da EBA e da ESMA concluiu que, embora o valor total imobilizado em DeFi represente apenas 4% do mercado mundial, o ritmo de experimentação supera o observado nos setores tradicionais.
Não há dúvidas de que as criptomoedas mais baratas têm muito a oferecer. Quem entra cedo num projeto bem-sucedido vê, em teoria, multiplicar-se o capital. Mas quem erra na escolha pode perder a totalidade do investimento. A volatilidade diária destes ativos costuma ultrapassar os 15%, e é por isso que a gestão de risco é tão importante.
Preço baixo não equivale, por si só, a oportunidade. Para separar sinal de ruído é preciso analisar o objetivo, ou seja, se o projeto planeia solucionar um problema concreto ou se é mero marketing. A equipa também é importante: se é anónima ou se conta com histórico em tecnologia ou finanças.
Por fim, o nível de liquidez disponível nas bolsas em que está listado deve ser considerado. Se, depois desse crivo, a moeda continuar a fazer sentido, uma estratégia de entrada faseada ajuda a suavizar as oscilações.
Risco, MiCA e o papel do Banco de Portugal
O Banco de Portugal lembra que a nova lei europeia impõe transparência nas reservas de stablecoins e regras de governação mais rigorosas para emissores e corretoras. Isto significa que, mesmo para tokens populares, poderá ocorrer deslistagem se o emissor não cumprir requisitos de solvabilidade.
Para o investidor, a grande vantagem é o acréscimo de informação, mas mantém-se a necessidade de, por exemplo, guardar as chaves privadas em equipamentos próprios quando o montante for elevado. É também necessário avaliar a exposição global do portefólio e recorrer a fontes fiáveis sempre que surgir um novo ativo “promissor”.
Conclusão
Começar a investir em criptomoedas em 2025 implica ponderar duas possibilidades. A primeira é confiar na robustez comprovada das moedas estabelecidas. A segunda é aceitar um risco mais elevado, bem como o potencial de valorização, das novas divisas.
Para muitos portugueses, a solução é ficar no meio. Manter um núcleo de segurança em Bitcoin ou Ethereum e destinar uma parcela menor a projetos que, após análise, revelem fundamento e capitalização contida. Acima de tudo, é a disciplina de atualizar informação que distingue um percurso sustentável de uma aposta puramente especulativa.
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