O Algarve tem duas igrejas candidatas às Novas 7 Maravilhas de Portugal e ambas ficam em Tavira. A Igreja da Misericórdia e a Igreja de Santa Maria do Castelo, dois dos mais relevantes monumentos religiosos da cidade, integram a categoria Religião e são apresentadas pela Diocese do Algarve como as únicas igrejas algarvias em concurso nesta edição.
De acordo com a Agência Ecclesia, que cita informação divulgada pela Diocese do Algarve, as candidaturas resultam de uma parceria entre a Santa Casa da Misericórdia de Tavira e a Paróquia de Tavira, através da empresa paroquial Artgilão. A mesma fonte refere que esta estratégia de cooperação patrimonial tem vindo a ganhar forma há cerca de dez anos.
Uma candidatura com duas marcas de Tavira
A Diocese do Algarve considera que estas duas candidaturas representam um caso raro de cooperação patrimonial em Portugal. Em causa estão dois edifícios religiosos com forte expressão histórica, artística e cultural, mas também com uma ligação profunda à identidade local.
O padre Miguel Lopes Neto, diretor da Pastoral do Turismo da Diocese do Algarve e pároco de Tavira, defende que iniciativas deste tipo ajudam a mobilizar a população para a valorização do seu património. Citado pela Agência Ecclesia, o responsável sublinha que o facto de serem as únicas igrejas algarvias em concurso mostra a importância das parcerias privadas na promoção do património religioso.
Para o sacerdote, este trabalho permite levar estes espaços para lá do âmbito estritamente cultual, apresentando-os também como lugares de beleza, história, cultura e identidade, capazes de chegar a crentes e não crentes.
A Igreja da Misericórdia
A Igreja da Misericórdia de Tavira é apresentada no concurso como um monumento maior da arte e da consciência humanista no Sul do país. Fundada em 1541 pela Santa Casa da Misericórdia, é considerada uma das expressões mais significativas da arquitetura renascentista no Algarve.
Entre os elementos destacados estão o portal escultórico, os retábulos barrocos e os painéis de azulejos das 14 Obras de Misericórdia, datados de 1760. Estes elementos ajudam a explicar o peso histórico e artístico do edifício, que continua a ser um dos pontos de referência patrimonial da cidade.
Alexandra Rufino, responsável pelo património histórico da Misericórdia de Tavira, afirma, em declarações citadas pela Agência Ecclesia, que a igreja é uma peça maior da história artística, religiosa e social do Algarve. Para a responsável, o monumento traduz também séculos de compromisso com a comunidade, com a fé e com a memória coletiva.
Santa Maria do Castelo
A Igreja de Santa Maria do Castelo surge como outro dos grandes símbolos patrimoniais de Tavira. A candidatura apresenta o monumento como um verdadeiro palimpsesto da história portuguesa, onde se cruzam diferentes tempos e estilos arquitetónicos.
No edifício convivem marcas góticas, manuelinas e neoclássicas, estas últimas associadas às alterações realizadas após o terramoto de 1755. A sua história está ligada à reconquista, à memória nacional e à identidade cultural da cidade.
Miguel Falcão Pereira, gestor do património histórico da Paróquia de Tavira, considera que Santa Maria do Castelo é um dos grandes lugares da memória de Tavira e do país. Citado pela Agência Ecclesia, o responsável destaca a densidade histórica do monumento, a sobreposição de estilos e a força simbólica que continua a conservar.
Olhão recebe a meia-final regional
A Meia-Final Regional das Novas 7 Maravilhas de Portugal realiza-se em Olhão, no dia 27 de junho, às 15h00. Segundo a organização do concurso, os dois patrimónios mais votados em cada categoria seguem para a final regional.
Os apurados serão conhecidos a 11 de julho. Até lá, Tavira assume-se como o principal rosto do património religioso algarvio nesta fase da competição, com duas igrejas que a Diocese do Algarve descreve como “joias maiores” da região.
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