Portugal conta agora com 181.000 milionários, mais 6.000 do que no ano anterior, num contexto em que a riqueza global atingiu novos máximos e o número de pessoas com património superior a um milhão de dólares continua a aumentar de forma acelerada. A conclusão faz parte de um estudo internacional que traça o retrato da distribuição da riqueza no mundo e que coloca o país no 26.º lugar em termos de riqueza média por adulto.
De acordo com o Correio da Manhã, os dados integram o mais recente Relatório Global da Riqueza do banco suíço UBS, que aponta para um crescimento generalizado do número de milionários e para uma concentração crescente de património em ativos financeiros e imobiliários.
Crescimento que não abranda
O estudo indica que o mundo nunca teve tantos indivíduos com património superior a um milhão de dólares. Segundo a mesma fonte, o aumento voltou a registar um ritmo elevado, com cerca de 2.600 novos milionários por dia ao longo do último ano, o que resultou em quase um milhão de novos casos num único ano.
No total, o relatório estima a existência de cerca de 57,5 milhões de milionários a nível global, o equivalente a aproximadamente 1,5% da população adulta mundial. O documento sublinha ainda que a riqueza global cresceu 10,8% no último ano, um desempenho superior ao registado em períodos anteriores.
Portugal no grupo intermédio europeu
No caso português, o relatório indica que a riqueza média por adulto se situou em 195.761 dólares, o equivalente a cerca de 172.000 euros. Conforme a mesma fonte, este valor coloca Portugal num grupo intermédio dentro do contexto europeu, acompanhando economias que têm registado crescimento consistente, embora ainda afastado dos níveis das maiores potências económicas.
O país regista, no entanto, uma evolução menos positiva na riqueza mediana, que terá descido de 81,3 mil para 76,9 mil dólares. Esta diferença entre média e mediana é apresentada no estudo como um indicador de maior desigualdade na distribuição da riqueza.
Desigualdade em destaque no retrato global
O relatório do UBS aponta para um crescimento desigual entre regiões e classes sociais. Segundo a mesma fonte, o aumento da riqueza não tem sido homogéneo, refletindo diferenças estruturais entre economias e tipos de ativos detidos.
A valorização de mercados financeiros e de ativos não financeiros surge como um dos principais fatores explicativos do crescimento global da riqueza. O estudo acrescenta que os ativos reais, com destaque para o imobiliário, continuam a representar a maior fatia do património detido pelos milionários.
Estados Unidos lideram o crescimento de novos milionários
A nível global, cerca de metade dos novos milionários terá surgido nos Estados Unidos, que continuam a concentrar uma parte significativa da criação de riqueza mundial. Este fenómeno reforça a tendência de concentração em economias com mercados financeiros mais dinâmicos e maior valorização de ativos.
O relatório refere ainda que a expansão da riqueza pessoal está diretamente associada ao desempenho dos mercados e à evolução dos preços dos ativos, num ciclo que tem vindo a intensificar-se nos últimos anos.
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