A FNAC do Fórum Algarve, em Faro, acolheu, no passado domingo, a sessão de lançamento da primeira obra publicada por João Carlos Gil, “Se pensas que o amor não criou o mundo, pensa outra vez”, proporcionando um momento especial para os amantes da leitura e da reflexão.
Natural de Olhão e residente em Tavira, João Gil é enfermeiro e mestre em Psicologia da Educação. Pai de três filhos, confessa “amar perdidamente as palavras, os livros, a escrita e a alma humana”, dedicando-se à escrita desde tenra idade.
O amor e a introspeção como temas centrais
“Se pensas que o amor não criou o mundo, pensa outra vez” não segue a narrativa romântica convencional, mas antes se constrói como uma reflexão profunda sobre o amor enquanto fundamento da existência e caminho para encontrar um sentido na vida.
O lançamento do livro foi marcado por uma conversa intimista com o público, na qual o autor afirmou tratar-se de “um livro de filosofia pura (…) porque não há livros verdadeiros no mundo, apenas a interpretação de quem os lê”. Sublinhou ainda que o pensamento e o amor moldam a nossa perceção do mundo: “Não há maior cegueira do que a de quem vê o que não existe — e todos vemos o que não existe quando deixamos de ver o amor em tudo”.
Através de uma escrita crua e introspetiva, João Gil convida o leitor a refletir sobre a vida e o seu significado, explorando temas como a dimensão existencial e a forma como vivemos.
A obra estrutura-se em torno de três personagens principais: uma criança, um rapaz e um homem, todos chamados Jonas e partilhando traços idênticos — cabelos “cor de luz” e óculos redondos. Representam a mesma pessoa em fases distintas da vida, cujas vozes se entrelaçam através de uma “voz interior” que cita cartas sobre o amor — não como mera emoção, mas como força absoluta que dá sentido à existência.
A origem da inspiração para a escrita da obra
A obra nasceu num período de vulnerabilidade do autor. Durante a sessão, João Gil partilhou que “estava deitado numa cama de hospital, nos cuidados intensivos, sem receber visitas. De repente, todas aquelas questões existenciais irromperam. Senti na pele: o que é verdadeiramente importante?”
Foi essa experiência, vivida não como enfermeiro, mas como doente, que transformou a sua visão da vida. “Percebi, pela primeira vez, o que significava estar do outro lado”, confessou. Nesse momento, o Amor revelou-se — não como um sentimento efémero, mas como a única força verdadeira e essencial.
Para João Gil, escrever tornou-se uma missão: partilhar a sua vivência na esperança de tocar os outros com a mesma intensidade. “Senti que devia contar uma história capaz de abanar as pessoas. Este não é um livro sobre o amor — é um livro escrito pelo próprio Amor”, explicou.
Uma literatura que emociona e desafia
O evento celebrou a sensibilidade e a força do amor, cativando os leitores pelo tom profundamente humano que permeia as palavras do autor. João Gil não só revelou o seu processo criativo, como refletiu sobre as raízes da história.
O lançamento de “Se pensas que o amor não criou o mundo, pensa outra vez” foi um momento de partilha autêntica. Mais do que uma obra para ser lida, é uma experiência para ser sentida.
MS/HD
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