Um vídeo divulgado pela PSP nas redes sociais voltou a trazer para a discussão um tema que continua a gerar dúvidas entre muitos condutores: a forma correta de circular nas rotundas. Na publicação, a polícia mostra de forma simples como deve ser feita a entrada, o posicionamento do veículo e a saída, num esforço de esclarecimento sobre uma manobra que continua a ser mal executada por muitos automobilistas.
Apesar de as rotundas fazerem parte do quotidiano de quem conduz, os erros repetem-se com frequência. Há condutores que entram diretamente para a faixa da direita quando não vão sair na primeira saída, outros que mudam de via demasiado tarde e outros ainda que não sinalizam a manobra de forma clara. São falhas que podem parecer pequenas, mas que muitas vezes acabam por provocar travagens bruscas, hesitações e situações de risco.
A mensagem deixada pela PSP surge precisamente nesse contexto. Mais do que um simples conselho de condução, o vídeo funciona como um lembrete de que existem regras concretas para circular numa rotunda e de que essas regras não dependem de interpretações pessoais nem de hábitos antigos que alguns condutores continuam a manter.
O que diz o Código da Estrada
A lei estabelece que, antes de entrar numa rotunda, o condutor deve ceder passagem aos veículos que já nela circulam. A partir daí, a escolha da via depende da saída pretendida. Quem vai sair logo na primeira saída deve ocupar a via da direita, enquanto quem pretende sair numa das seguintes não deve permanecer desde o início nessa faixa exterior.
Nestes casos, o condutor só se deve aproximar da via mais à direita depois de passar a saída imediatamente anterior àquela por onde quer abandonar a rotunda. Essa mudança deve ser feita de forma progressiva e com as devidas precauções, para que a manobra decorra em segurança e sem interferir de forma brusca com a circulação dos restantes veículos.
A lei prevê ainda algumas exceções para certos utilizadores da via, como velocípedes, automóveis pesados, veículos de tração animal ou animais. Ainda assim, a regra geral mantém-se e continua a ser aquela que se aplica à maioria dos condutores que circulam diariamente nas estradas portuguesas.
O erro que continua a repetir-se
É precisamente no cumprimento dessa regra que muitos falham. Um dos comportamentos mais comuns é a utilização da via da direita durante quase toda a rotunda, mesmo quando a intenção não é sair logo na primeira saída. Essa prática continua enraizada em muitos condutores e é, muitas vezes, defendida como se fosse a forma correta de circular, quando a lei aponta noutro sentido.
Também a sinalização da manobra continua a levantar problemas. Há quem use o pisca demasiado tarde, há quem não o faça de todo e há ainda quem acabe por transmitir sinais contraditórios aos outros condutores. Numa rotunda, onde tudo depende da antecipação e da leitura do movimento dos outros veículos, esse tipo de comportamento torna a circulação menos previsível e mais propensa a erros.
Foi precisamente para combater essa confusão persistente que a PSP decidiu voltar a pegar no tema. Ao recorrer a um vídeo curto e direto, a polícia procura mostrar de forma visual aquilo que o Código da Estrada já prevê há vários anos, mas que continua a não ser respeitado por muitos automobilistas.
A infração pode traduzir-se em multa
Circular mal numa rotunda não é apenas uma questão de condução descuidada. Em determinadas situações, pode mesmo dar lugar a coima. O Código da Estrada prevê uma multa entre 60 e 300 euros para quem infringir as regras relativas à utilização das vias de trânsito neste tipo de cruzamento.
Isso significa que o incumprimento pode ter consequências concretas para o condutor. Aquilo que muitos ainda tratam como um hábito de condução ou uma questão de interpretação pode, na prática, traduzir-se numa infração rodoviária.
Além disso, o dever de sinalizar corretamente a mudança de direção ou de via continua a ser uma parte essencial da manobra. O sinal deve ser feito com antecedência suficiente, mantido durante a execução da manobra e desligado logo que esta esteja concluída. Quando isso não acontece, a circulação torna-se mais confusa e o risco aumenta.
No fundo, o vídeo agora divulgado pela PSP vem recordar algo que continua a gerar debate nas estradas, mas que a lei já define com clareza. As rotundas podem parecer um elemento rotineiro da condução diária, mas a forma de nelas circular continua a exigir atenção, cumprimento das regras e alguma disciplina ao volante.
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