Durante a última década, os radares de controlo de velocidade registaram mais de 3,6 milhões de infrações nas estradas portuguesas. Os dados revelam uma média próxima das mil ocorrências por dia desde a entrada em funcionamento do Sistema Nacional de Controlo de Velocidade (SINCRO), em 2016, um retrato da dimensão que o excesso de velocidade continua a ter em Portugal.
De acordo com a Razão Automóvel, publicação especializada no setor automóvel, os dados divulgados pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) apontam para um total de 3,61 milhões de infrações nos primeiros dez anos de funcionamento do sistema. A evolução dos números mostra, contudo, uma realidade menos linear do que pode parecer à primeira vista. Depois de vários anos de crescimento, o máximo foi atingido em 2023, quando os radares registaram 671.709 infrações. Desde então, a tendência tem sido de descida, com 477.297 registos em 2024 e 418.783 em 2025.
Mesmo assim, o número continua a ser expressivo. Só nos primeiros seis meses de 2026 foram detetadas 163.951 infrações por excesso de velocidade. Embora os dados ainda sejam provisórios e correspondam apenas ao período até 1 de julho, revelam que milhares de condutores continuam a ultrapassar os limites estabelecidos nas estradas portuguesas.
Uma rede de fiscalização cada vez mais extensa
O SINCRO conta atualmente com 123 locais de fiscalização distribuídos por todo o país. A maioria corresponde a radares de velocidade instantânea, mas o sistema integra também equipamentos de velocidade média, uma tecnologia que tem vindo a ganhar importância por permitir monitorizar o comportamento dos condutores ao longo de um percurso e não apenas num ponto específico da via.
Atualmente existem 23 locais equipados com este tipo de controlo e a ANSR prevê alargar a rede com mais 12 troços de velocidade média. Nestes casos, a velocidade é calculada através do tempo que cada veículo demora a percorrer a distância entre dois pontos de controlo, reduzindo a possibilidade de travagens momentâneas junto aos radares para evitar uma infração.
Menos vítimas onde os radares estão presentes
Os dados disponíveis sugerem que o impacto do sistema vai muito além do número de multas emitidas. Nas zonas abrangidas pelo SINCRO, os indicadores de sinistralidade registaram melhorias significativas desde 2016. Os acidentes com vítimas diminuíram 23%, uma redução acompanhada por uma quebra particularmente expressiva nos acidentes mais graves.
O número de vítimas mortais caiu 71% nos locais monitorizados pelos radares, enquanto os feridos graves diminuíram 38%. Já os feridos ligeiros registaram uma redução de 22%, números que reforçam a aposta das autoridades na utilização destes equipamentos como ferramenta de prevenção e não apenas de fiscalização.
Ainda assim, o panorama nacional está longe de ser totalmente positivo. Em 2026, a sinistralidade rodoviária voltou a dar sinais de agravamento, contrariando os resultados observados nos troços abrangidos pelo sistema.
Foram registados 89.763 acidentes desde o início do ano, cerca de seis mil acima do valor contabilizado no mesmo período de 2025. O número de vítimas mortais subiu para 258, mais 23 do que no ano anterior, enquanto os feridos graves aumentaram para 1.728, representando mais 87 casos. Apenas os feridos ligeiros registaram uma descida, recuando para 25.846. Segundo a Razão Automóvel, estes dados provisórios da ANSR mostram que, apesar dos resultados alcançados nas estradas abrangidas pelos radares, a segurança rodoviária continua a ser um dos principais desafios da mobilidade em Portugal.
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