A crescente procura de carros importados do centro da Europa tem gerado entusiasmo no mercado de veículos usados. Modelos bem equipados, com preços atrativos e históricos de manutenção rigorosos são, muitas vezes, os principais argumentos de venda. No entanto, há um detalhe técnico no carro importado que pode passar despercebido aos compradores menos atentos, e que pode representar custos inesperados logo na primeira inspeção periódica obrigatória.
O alerta chega de um mecânico com anos de experiência em veículos importados. A principal preocupação está relacionada com o estado de conservação da carroçaria, nomeadamente nas zonas que não são visíveis a olho nu.
O problema que muitos não veem
De acordo com declarações de Juan José, especialista em reparações automóveis, um dos principais problemas detetados em carros importados é o “óxido por baixo da pintura”. Este fenómeno ocorre com frequência em viaturas expostas durante anos a ambientes húmidos, com neve ou gelo, onde é comum o uso intensivo de sal nas estradas para evitar o congelamento.
Segundo o mesmo mecânico, o sal, embora eficaz na segurança rodoviária, acelera a corrosão dos metais. “Muitos carros chegam muito picados. Não se vê à primeira vista, mas o problema aparece nas inspecções ou nas oficinas”, alerta.
Quando o bom negócio pode não passar na inspeção
A oxidação profunda pode afetar o chassi e outros componentes estruturais, tornando o veículo inseguro para circular. Se for detetada pela inspeção, pode levar a um chumbo imediato e exigir reparações dispendiosas.
Além da questão da segurança, este tipo de corrosão reduz significativamente o valor de revenda do carro. Explica o mecânico que, em casos mais graves, a viatura pode deixar de cumprir os requisitos mínimos para circular legalmente, especialmente se o dano afetar zonas críticas como travões ou apoios de suspensão.
Marcas mais comuns e origem do problema
Embora o fenómeno não se limite a marcas específicas, é mais comum em veículos de fabricantes alemães, como BMW, Mercedes-Benz, Audi, Volkswagen ou Porsche. Estas marcas têm grande rotação nos mercados usados europeus e são frequentemente importadas por apresentarem melhores preços face à oferta nacional.
Escreve o jornal El Español que modelos como o BMW Série 3, o Audi A4 ou o Mercedes Classe C estão entre os mais populares nas importações e também entre os que mais exigem atenção quanto à corrosão.
Rematricular não é o único custo
A rematrícula de veículos importados envolve custos administrativos, impostos e adaptações técnicas, que podem ultrapassar os mil euros. No entanto, segundo o site automóvel espanhol Motor.es, o verdadeiro custo pode surgir depois da compra, quando se descobrem problemas mecânicos ou estruturais não visíveis à primeira vista.
“Vale a pena mandar verificar o carro por baixo antes de comprar. Já vi muita gente a arrepender-se depois”, refere Juan José.
Como prevenir surpresas desagradáveis
Antes de adquirir um carro importado, especialmente oriundo de regiões frias e com invernos rigorosos, é aconselhável realizar uma inspeção técnica detalhada. Oficinas especializadas oferecem serviços de verificação de corrosão e diagnóstico por imagem térmica ou ultrassons, permitindo detetar falhas não visíveis ao olho nu.
Adicionalmente, é recomendável solicitar um histórico completo de manutenção e, se possível, verificar imagens antigas do veículo. Pequenos indícios, como retoques recentes ou zonas pintadas, podem indicar intervenções para disfarçar ferrugem.
Uma decisão que pode sair cara
Comprar um carro importado continua a ser uma opção válida, desde que feita com critério e conhecimento. Os preços apelativos não devem ser o único fator a considerar. Segurança, durabilidade e fiabilidade são aspetos que devem pesar na decisão final.
No fim, o que parece ser um bom negócio pode tornar-se num encargo disfarçado. E como em tantas outras áreas, aqui também se aplica o velho ditado: “O barato sai caro”.
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