O peixe-aranha, espécie associada a picadas dolorosas em zonas de maré baixa no litoral português, sobretudo no Algarve, está a ganhar presença crescente na restauração regional, sendo atualmente servido em vários restaurantes sob a forma de filetes fritos. De acordo com a SIC Notícias, o Trachinus draco passou de peixe evitado a ingrediente integrado em cartas de estabelecimentos algarvios, sobretudo em Olhão e zonas próximas.
Segundo a mesma fonte, o peixe-aranha sempre foi capturado nas redes tradicionais da Arte Xávega, chegando frequentemente ao areal juntamente com outras espécies. A sua presença no areal era comum e gerava também episódios de picadas entre pescadores e compradores de peixe fresco.
Da desconfiança ao consumo doméstico
Durante muito tempo existiu a perceção de que o peixe poderia não ser adequado ao consumo, o que levou à sua desvalorização comercial. Acrescenta a publicação que, apesar disso, era consumido em contexto familiar, normalmente frito em farinha, mantendo alguma presença em tascas tradicionais.
Sabe-se ainda que, a partir de 2014, começaram a surgir pratos de peixe-aranha em restaurantes do Algarve, com destaque para a zona de Olhão. Esta mudança marcou o início da valorização culinária da espécie, que passou a integrar propostas fixas em algumas cartas.
Prato que ganhou identidade própria
Refere a mesma fonte que o restaurante Terra i Mar foi um dos primeiros a destacar os filetes de peixe-aranha como especialidade, servidos com maionese de alho. Acrescenta a SIC Notícias que Miguel Fernandes, associado ao espaço, refere o prato como elemento central da identidade do restaurante desde a sua abertura.
O peixe-aranha passou a ser servido em vários estabelecimentos algarvios, incluindo o restaurante Marina com Noélia, em Olhão, onde é apresentado com acompanhamentos como xerém ou açorda de bivalves. Esta integração reforça a ligação à cozinha tradicional da região.
Entre o litoral e o interior algarvio
Importa destacar ainda que o prato também pode ser encontrado no restaurante O Primo dos Caracóis, entre Olhão e a Fuseta, bem como no Mato à Vista, em Paderne, no concelho de Albufeira. Refere a mesma fonte que a sua presença demonstra uma disseminação além das zonas costeiras mais diretas.
O peixe-aranha integra igualmente a carta do restaurante O Rui, na ilha da Culatra. Acrescenta a SIC Notícias que esta presença confirma a continuidade da sua valorização em diferentes contextos do Algarve, incluindo ilhas-barreira.
Peixe que entrou em guias gastronómicos
Escreve a mesma publicação que os “Filetes de peixe-aranha” surgem também em publicações dedicadas à gastronomia tradicional, como o guia “365 Tascas & Marisqueiras”. Segundo a SIC Notícias, esta obra reúne várias receitas e espaços de restauração distribuídos por todo o país.
O guia inclui cerca de 260 páginas e identifica aproximadamente 250 tascas e 115 marisqueiras. Acrescenta a mesma fonte que a publicação organiza estes espaços por regiões, incluindo Norte, Centro, Sul e ilhas.















