Sagres recebe, entre 2 e 5 de outubro, a 17.ª edição do Festival de Observação de Aves, que este ano apresenta um programa com 314 atividades e está a registar uma procura inicial superior à verificada em 2025, segundo a organização.
“Na primeira semana tivemos o mesmo número de inscrições que tivemos no ano passado no festival inteiro”, afirmou à Lusa André Pinheiro, da Associação Almargem, uma das entidades responsáveis pela organização.
O festival é promovido pela Câmara Municipal de Vila do Bispo, em parceria com a Associação Almargem e a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, e tem reunido habitualmente cerca de 1.300 participantes em cada edição.
André Pinheiro admite que “a procura registada este ano poderá traduzir um aumento” do interesse pelo evento, tendo em conta o ritmo de inscrições registado nas primeiras semanas.
Mais de 300 atividades e participantes de vários continentes
De acordo com André Pinheiro, cerca de 60% dos participantes são portugueses. Entre os estrangeiros, estão representados visitantes de todos os continentes.
A maioria das atividades requer inscrição ‘online’, existindo também iniciativas com inscrição presencial durante o festival e outras de participação livre.
O programa inclui cerca de 120 atividades pagas, sendo as restantes gratuitas, e mantém a observação de aves como principal eixo, embora abranja também propostas para observar anfíbios e répteis, plantas, insetos, borboletas e golfinhos.
“É um bocadinho de tudo”, resumiu André Pinheiro, referindo-se à diversidade das saídas de campo previstas para esta edição.
Entre as novidades deste ano estão a fotografia de borboletas noturnas e um “safari sonoro”, além do reforço da oferta nas áreas da anilhagem científica de aves, das artes e da iniciação à observação.
O programa inclui ainda sessões de observação de aves em terra e no mar, caminhadas e atividades dirigidas aos mais novos.
A ciência estará igualmente representada através da conferência “Natureza em revelação”, dedicada à apresentação de trabalhos e descobertas recentes na área da conservação da natureza.
Torda-mergulheira é a espécie em destaque
A espécie escolhida para esta edição é a torda-mergulheira, uma ave marinha que pode ser observada nas águas portuguesas sobretudo durante o outono e o inverno.
Excelente mergulhadora, a torda-mergulheira alimenta-se de pequenos peixes e pode ser avistada ao longo da costa portuguesa durante os períodos de migração e invernada.
“A escolha desta espécie lembra também os desafios enfrentados pelas aves marinhas, nomeadamente a captura acidental em artes de pesca, sublinhando a importância do trabalho de conservação”, referem os organizadores.
Sagres é considerado o terceiro corredor de aves migratórias mais importante da Europa, depois dos estreitos do Bósforo, na Turquia, e de Gibraltar, no extremo sul da Península Ibérica.
Entre agosto e novembro, a região permite observar a migração outonal de aves planadoras, entre as quais cegonhas, águias, abutres, gaviões e falcões, em direção ao continente africano.
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