O músico e compositor brasileiro Fred Martins inicia esta sexta-feira uma série de concertos em três palcos nacionais, nos quais revisita 15 anos de residência e de criação artística na Europa.
Na sexta-feira, Fred Martins sobe ao palco do Museu de Arte Contemporânea Armando Martins, em Lisboa, acompanhado pela violoncelista Sandra Martins, regressando à capital no dia 28 para atuar na B.O.T.A., com Barbara Rodrix, Martin Sued e a sua Orquestra Assintomática.
A digressão passa ainda pelo Algarve, com um concerto marcado para 7 de fevereiro na Associação Cultural República 14, em Olhão, novamente com a participação de Sandra Martins.
Em declarações à agência Lusa, o multi-instrumentista e compositor afirmou que “é uma digressão de despedida” depois de 15 anos a residir e concretizar projetos musicais em Espanha e Portugal.
Para o autor de “Esperança”, que gravou com Nancy Vieira, este é “o fechamento de um ciclo” em que transitou entre os dois países ibéricos, e estabeleceu “muitos encontros musicais e trocou influências”.
Música como espaço de encontro e resistência
“Um balanço muito positivo em termos musicais, poéticos e até humanos”, disse, sublinhando, no entanto, a xenofobia que encontrou nos dois países, e que sentiu, “por se generalizarem as pessoas que vêm de qualquer lugar, quando, afinal, cada um é um”.
“Há agora um discurso muito anti-imigração, que também já houve no Brasil, logo no Brasil, um país feito por vagas imigratórias, mas agora também na Europa vendo o imigrante como um inimigo público n.º 1, quando se pode ser ponto de encontro das diferenças, onde todos ganham com isso, podemos ter uma cultura de aprendizagem e de respeito”, defendeu o músico.
Para Fred Martins, “esta é uma tendência muito atávica do ser humano”, mas em relação a qual a música, principalmente a popular, pode ter um papel: “A música pode combater este sentimento e antecipar o que podemos ser no futuro”.
Fred Martins referiu-se aos três concertos como “intimistas”, afirmando que o seu “ambiente se foi tornando cada vez mais camerístico”, apesar de ter estado ligado “a ambientes mais abertos, relacionados com o rock”.
















