A reportagem televisiva “Emissora Local Algarvia. Os últimos sons da Rádio Fóia”, da autoria da antiga jornalista Diana Santos Gomez e do repórter de imagem Marques de Almeida, recebeu a 1.ª Menção Honrosa na categoria de Televisão do Prémio ANMP de Jornalismo e Poder Local 2025.
A distinção foi entregue durante uma cerimónia realizada na sede da Associação Nacional de Municípios Portugueses, em Coimbra.

Entre várias candidaturas apresentadas na categoria de televisão, esta foi a única reportagem considerada elegível pelo júri, destacando-se pela sensibilidade com que aborda o desaparecimento da Rádio Fóia — um caso emblemático da crise vivida pelos meios de comunicação social regionais.
Transmitida pela RTP em agosto de 2024, a reportagem retrata o fim de uma estação que, durante décadas, foi mais do que um canal de rádio: era uma presença constante na vida local, em especial entre a população mais idosa, desempenhando um papel de proximidade, identidade e serviço público.
O projeto nasceu da iniciativa da própria equipa, ciente da urgência de dar visibilidade ao desaparecimento silencioso das rádios locais — e, com elas, da ligação direta às comunidades.
Diana Santos Gomez, antiga jornalista, agora assessora de imprensa desde 2025, que cresceu no Algarve e tem quase 20 anos de experiência no jornalismo — com passagens pela RTP, SIC, CMTV, jornal Correio da Manhã, Rádio Clube Português (RCP) e jornal Record recordou a rádio como o espaço mais humano da sua carreira.
Na cerimónia, sublinhou a responsabilidade dos profissionais de comunicação em dar visibilidade à realidade local: “A distinção é dedicada, acima de tudo, aos profissionais que se dedicaram à Rádio Fóia durante anos, vários a título gratuito. A todos os jornalistas que lutam pelas verdadeiras causas sociais. É nossa responsabilidade não deixar esquecer as suas necessidades urgentes. A realidade dos meios de comunicação social regionais tem de ser valorizada, porque têm muita qualidade e fazem a diferença na proliferação rápida e eficaz da informação diária. Foi uma honra partilhar a autoria com o Marques de Almeida”.
A jornalista agradeceu à organização do prémio e dedicou a distinção à sua família e a todos os colegas que sempre acreditaram no seu trabalho, mesmo perante os desafios, com uma menção especial ao pai, Dimas Santos, à avó paterna, Maria Antónia, aos irmãos Dimas e André, e ao seu companheiro Nuno, que considera pilares essenciais no seu percurso.
“Dedico este prémio ao meu pai e à minha avó paterna que me ensinaram o valor da ética, da persistência, da escuta e do compromisso com os outros, e na mesma linha de princípios menciono os meus irmãos, os melhores que podia ter, e depois ao meu companheiro Nuno. Todos sempre acreditaram em mim em todos os momentos, mesmo nos mais difíceis”, afirmou.

Marques de Almeida, que por motivos pessoais não esteve presente, além da recolha de imagem, assumiu também a edição da peça. Reconhecido pela sua longa carreira como repórter de guerra, afirma: “assinei este trabalho sobre uma outra forma de conflito: a luta contra o silêncio e o esquecimento que se instalam com o desaparecimento dos meios locais”.
O repórter agradeceu “a todos os profissionais dos meios regionais que se dedicam arduamente a manter a comunicação viva. É um orgulho fazer parte deste trabalho e transmitir essa mensagem. As pessoas que vivem esta realidade merecem esse respeito e reconhecimento. É por todas elas que fizemos este trabalho”.
A reportagem foi distinguida entre as várias candidaturas ao Prémio ANMP de Jornalismo e Poder Local, que visa promover a reflexão sobre o poder local e a valorização da democracia de proximidade. Na mesma edição, foram galardoados profissionais de imprensa, rádio e fotojornalismo com trabalhos de reconhecido mérito.

Na categoria de Imprensa, venceu a reportagem “Fundão, terra de todas as nações”, de Ana Tulha, com fotografia de Maria João Gala (Notícias Magazine). As menções honrosas foram atribuídas aos trabalhos “O silêncio da água” (Marco Monteiro Cândido e Ricardo Zambujo, Diário do Alentejo) e “O bairro esquecido à sombra da maior obra de Lisboa” (João Pedro Pincha e Daniel Rocha, Público).
Na categoria de Rádio, Arlinda Brandão venceu com a peça “Cante em Lisboa”, da Antena 1. No Fotojornalismo, houve dois primeiros prémios ex aequo: Sérgio Azeda (Público) e Pedro Ramos (As Beiras).
A Menção Honrosa atribuída à reportagem sobre a Rádio Fóia, assim com as reportagens de todos os jornalistas distinguidos, reafirma “a importância de manter vivo o jornalismo de proximidade — aquele que ouve, documenta e preserva as vozes e o grande valor das comunidades”.
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