O Lar de São José, em Tavira, foi esta quinta-feira palco de uma celebração muito especial: Maria Cândida Celeste Brás completou 100 anos, rodeada de familiares, amigos e colaboradores da instituição.
A data, assinalada a 2 de outubro, ficou marcada por momentos de grande emoção e reconhecimento a uma vida centenária.

O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Tavira, Pedro Nascimento, sublinhou a importância da ocasião, afirmando tratar-se de “um aniversário de uma senhora que representa um exemplo de vitalidade e autonomia com a idade que tem”.
A festa contou com uma cuidada preparação por parte das funcionárias do lar, que decoraram o espaço e organizaram um lanche especial para todos os presentes. A animação musical esteve a cargo do conceituado acordeonista Silvino Campos, cuja atuação deu ainda mais brilho ao momento.
A família expressa publicamente a sua gratidão à instituição e a todos os que tornaram este dia inesquecível, deixando um sentido “muito obrigada”.
Maria Cândida, um século de vida marcado pela tradição e pela memória
Maria Cândida é natural da freguesia de Santo Estêvão, Tavira, onde nasceu em 1925, ali cresceu, estudou e construiu família, ao casar-se aos 21 anos com José dos Santos Cavaco, de quem teve duas filhas: Maria do Rosário Cavaco e Maria da Fátima Cavaco.
A filha, Maria do Rosário, recorda que a mãe, “muito jovem ainda, aos 14 anos de idade, entrou para o Rancho de Santo Estêvão, nessa época conhecido por Rancho Popular, mais tarde a partir de 1947 já sob a égide da Casa do Povo, onde ainda dançou durante os anos cinquenta do século passado”.

Entre as suas memórias está também o quotidiano familiar, onde desempenhou com dedicação as tarefas domésticas. “Semanalmente fazia a amassadura para haver pão em casa e, em ocasiões festivas, como na Páscoa, confecionava os saborosos folares, e no Natal as filhoses, as empanadilhas e os bolinhóis”, recorda a filha, sublinhando que era “uma excelente cozinheira”.
As lides do campo eram para Maria Cândida uma fonte de prazer
“Fazer a apanha dos figos, proceder à sua escolha, separar os que eram melhores para enseirar e torrar e os menos bons, para enviar para a destilaria e fazer aguardente, era uma tarefa que fazia com genica e alegria”, conta Maria do Rosário. A tradição mandava ainda que “casa que se prezasse tinha de ter um balaio com figos e um copinho de aguardente para oferecer às visitas”.
Também a apanha da azeitona era um momento de satisfação. “Era importante ter azeite para o governo da casa e azeitonas para britar, retalhar ou conservar em água e sal, assim como preparar as que escureciam em conserva de sal para comer durante todo o ano”, explica.

Com gosto pela música, Maria Cândida integrou durante muitos anos o coro da igreja paroquial, onde o marido era ensaiador e músico. “Na sua memória guardou todas as letras das modas com que inicialmente o Rancho se apresentava, o que foi uma mais-valia para a recolha que serviu para editar o Historial do Rancho Folclórico de Santo Estêvão, que apresentei em 2009”, assinala a filha.
Mulher de registos, foi também “uma guardadora de memórias”, anotando em cadernos e sebentas tudo o que considerava relevante: “desde anos de grandes secas, receitas de mezinhas e de doçaria, até quando deitou ovos debaixo das galinhas para tirarem pintos, ou quando os cabritos nasciam”.
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